25.4.12

Retorno Total

Definição – Corresponde ao lucro operacional gerado pela entidade pelo valor do empreendimento. O inverso do índice refere-se ao período de tempo de retorno proporcionado pelo lucro operacional da empresa.

Fórmulas – Retorno Total = (Lucro Operacional / Valor do Empreendimento) x 100

Lucro Operacional = corresponde ao resultado da empresa antes das despesas financeiras, imposto de renda e participações. Inclui a receita financeira
Valor do Empreendimento = refere-se ao valo de mercado da empresa mais as dívidas menos o caixa e equivalentes.

Unidade de Medida – Em percentual. Corresponde a percentagem de retorno total da empresa, usando uma aproximação do valor de mercado da empresa.

Intervalo da medida – O lucro operacional é positivo, mas eventualmente poderá ser negativo. Assim, o intervalo irá variar entre -100% a infinito. Como em geral dificilmente o lucro operacional é superior ao valor do empreendimento, o intervalo natural do índice está entre -100% a 100%, mas com valores positivos.

Como calcular – Para determinar o valor do empreendimento é necessário obter o valor de mercado do patrimônio líquido. Vamos usar o exemplo da Embraer. Num sítio da internet localizamos que o valor da empresa em dezembro de 2011:

Os valores do passivo e do caixa são obtidos no balanço patrimonial da empresa:


Assim, o valor do Empreendimento é dado por:

Valor do Empreendimento em 31/12/2011 = 8,7 + 10,8 – 2,5 = 16,9 bilhões de reais

O lucro operacional pode ser obtido na DRE da empresa:

Observe que este não é o resultado operacional correto já que não inclui as receitas financeiras (é isto mesmo, as receitas financeiras fazem parte do resultado operacional). Isto tende a reduzir o valor o retorno total encontrado para empresa. O índice é dado por:

Retorno Total = Lucro Operacional / VE = 521 / 16 943 = 3,1% ao ano

Grau de utilidade – Regular. Seu uso está limitado a empresas de capital aberto e que tenham perspectiva de lucratividade.

Controvérsia de Medida – Alguma. O cálculo do lucro operacional é sempre complicado em razão da dificuldade de separação da receita financeira da despesa financeira. Estes dois itens devem ter tratamento financeiro distinto, já que o primeiro é operacional, mas o segundo não. Entretanto, as DRE das empresas não apresentam desta forma.  

Observações Adicionais
a)     O inverso do índice informa em quanto tempo o lucro operacional gerado pela empresa paga o capital investido hoje. No caso da Embraer, são 32 anos para se pagar este capital.
b)     Uma forma de minimizar o problema do lucro operacional é considerar um conceito de VE mais abrangente, incluindo todas as aplicações financeiras. No caso da Embraer, isto reduziria o VE para 15,5 bilhões já que seria subtraído de 1,413 bilhão de “instrumentos financeiros ativos”. O novo índice seria de 3,36% ou 29,7 anos para pagar o capital.
c)     Este índice é interessante, pois leva em consideração todo o capital investido na empresa e não somente o patrimônio líquido. Alguns analistas usam o preço da ação sobre o lucro operacional por ação, o que é inconcebível em termos teóricos. Neste caso está usando um lucro derivado do ativo e comparando com o patrimônio líquido

Esta é uma série de textos sobre os principais índices usados na análise das demonstrações contábeis.  Outros textos publicados foram: Crescimento Sustentável, FCL sobre VE, Fluxo sobre Vendas, PLC, Lucro Líquido sobre Ativo, Distribuição do Valor Adicionado, Dividendo por lucro, Lucro por ação, Preço sobre vendas, Dividend yield, Capital Circulante Líquido, Custo da Dívida, Investimento sobre Depreciação, Composição do Endividamento, Cobertura de dívida,. Cobertura de investimento, Prazo de Pagamento a Fornecedores,  Taxa de Queima, Prazo de Estocagem, Valor Adicionado sobre Receita, Margem Líquida, Giro do Ativo, P/L, RSPL, Endividamento Oneroso, Endividamento, Fluxo de Caixa Livre, Ebitda, Margem Operacional, NIG sobre Vendas, Valor do Empreendimento, Capitalização, Margem Bruta, ROI e Liquidez Corrente. 

24.4.12

Crescimento sustentável


Definição – este índice determina a taxa de crescimento máxima das vendas em comprometer a estrutura financeira.

Fórmulas – Crescimento sustentável = Variação no PL / PL inicial

Variação no PL = corresponde à variação ocorrida no patrimônio líquido da empresa no período. Nas situações onde nenhum lucro é distribuído, a variação irá corresponder ao próprio lucro líquido. Caso exista distribuição, a variação no PL corresponde ao lucro vezes a taxa de retenção.
PL Inicial = refere-se ao patrimônio no inicio do período.

Unidade de Medida – Pode ser expresso em percentual se multiplicar por 100.

Intervalo da medida – Este índice pode variar, pelo menos em teoria, entre menos infinito a infinito. Entretanto, em situações de lucro irá variar entre zero a cem por cento.

Como calcular – Os valores podem ser obtidos na DMPL de uma empresa. A figura a seguir é um pedaço da DMPL da empresa Les Lis Blanc Deux, do setor de moda.

Em 31 de dezembro de 2010 o patrimônio líquido da empresa era de 153 milhões de reais. A empresa gerou um lucro de 37,7 milhões, dos quais 8,9 foram distribuídos. Assim, o lucro que ficou na empresa foi de 28,7 milhões. O crescimento sustentável é de

Crescimento Sustentável = 28,7 / 153 = 0,1877

Ou seja, a empresa pode crescer a uma taxa de 18,77%. Observando a demonstração do resultado da empresa tem-se a seguinte figura:

Durante o ano de 2011 a receita da empresa apresentou o seguinte crescimento:

Crescimento das Receitas = (471,1 / 351,1) – 1 = 0,342

Ou seja, a receita vem aumentando muito além do crescimento sustentável da empresa. Persistindo esta diferença, isto pode gerar problemas financeiros.

Grau de utilidade – Regular. É um índice interessante para empresas com lucro e taxa de crescimento elevada. Além disto, não é muito usada pelos analistas.

Controvérsia de Medida – Alguma. É muito difícil prever uma taxa de crescimento adequada para uma empresa. No anterior, a empresa do exemplo apresentou um crescimento sustentável de 0,24. Naquele período o crescimento das vendas foi novamente superior ao crescimento sustentável (34%).

Observações Adicionais
a)     Este índice é bastante defendido por Robert Higgins, no livro  Analysis for Financial Management.
b)     Multiplicando o numerador e denominador por vendas e ativo, o índice corresponde a margem líquida vezes a taxa de retenção do lucro vezes o retorno do ativo vezes o giro do ativo. Higgins denomina esta fórmula de PRAT, sendo P = margem líquida (profit margin), R = retenção do lucro; A = giro do ativo e T = alavancagem que poderíamos traduzir para MARA.
c)     Este índice deve ser considerado no longo prazo. A empresa que apresenta crescimento de vendas muito acima da sua capitalização pode estar aumentando o endividamento, com reflexo no risco.
d)     Trata-se, portanto, de um índice conservador, onde a expansão deve ser feita com recursos próprios da própria empresa.

Esta é uma série de textos sobre os principais índices usados na análise das demonstrações contábeis.  Outros textos publicados foram: FC sobre Vendas, PLC, FCL sobre VE, Lucro Líquido sobre Ativo, Distribuição do Valor Adicionado, Dividendo por lucro, Lucro por ação, Preço sobre vendas, Dividend yield, Capital Circulante Líquido, Custo da Dívida, Investimento sobre Depreciação, Composição do Endividamento, Cobertura de dívida,. Cobertura de investimento, Prazo de Pagamento a Fornecedores,  Taxa de Queima, Prazo de Estocagem, Valor Adicionado sobre Receita, Margem Líquida, Giro do Ativo, P/L, RSPL, Endividamento Oneroso, Endividamento, Fluxo de Caixa Livre, Ebitda, Margem Operacional, NIG sobre Vendas, Valor do Empreendimento, Capitalização, Margem Bruta, ROI e Liquidez Corrente. 

20.4.12

FC sobre Vendas


Definição – este índice mede o fluxo de caixa gerado pelas vendas da empresa. Corresponde ao percentual das vendas que é transformado em caixa das operações.

Fórmulas – FC sobre Vendas = Fluxo de Caixa das Atividades Operacionais / Vendas Líquidas

Fluxo de Caixa das Atividades Operacionais = corresponde ao fluxo oriundo das atividades operacionais da empresa. Não deve constar deste fluxo as despesas financeiras pagas ao capital de terceiros, que para fins de análise corresponde ao fluxo de financiamento.
Vendas Líquidas = refere-se a receita líquida originária da venda de produtos e prestação de serviços, sem considerar as devoluções, abatimentos e impostos sobre vendas.

Unidade de Medida – Corresponde a um número absoluto. Entretanto, pode-se multiplicar a fórmula por 100 para usar um percentual.

Intervalo da medida – O fluxo pode assumir valores positivos e negativos. Espera-se que seu valor, quando positivo, não seja superior as vendas. Assim, o intervalo da medida deve estar normalmente entre -1 a 1.

Como calcular – Os valores necessários para cálculo do índice são obtidos na demonstração do resultado do exercício e na demonstração dos fluxos de caixa.
A figura a seguir apresenta o fluxo operacional da Coelba, uma empresa de energia.

A receita é obtida na DRE da empresa, conforme figura a seguir:

Podemos calcular o índice da seguinte forma:

FC sobre Vendas = 1 269 991 / 4967 359 = 0,2557

No ano de 2010 este índice seria:

FC sobre Vendas = 950 123 / 4394 324 = 0,2162

Indicando que a empresa consegue transformar em caixa operacional ¼ da sua receita.

Grau de utilidade – Regular. Este índice faz sentido analítico quando a empresa gera caixa nas operações.

Controvérsia de Medida – Alguma. A incorporação dos encargos financeiros no fluxo das operações não fica muito claro em algumas DFCs.

Observações Adicionais
a)     Em algumas empresas é interessante somar ao valor das vendas as outras receitas, como as receitas financeiras. Isto tende a reduzir o valor do índice.
b)     O volume de deduções das receitas pode ser expressivo, como é o caso da empresa usada no exemplo, onde o valor foi de 2 bilhões de reais. Deste total, 1,2 bilhão é referente ao ICMS e 460 milhões ao Cofins.
c)     Desconsiderando a despesa financeira do fluxo das operações, no valor de R$489 milhões, o resultado seria de 35% para 2011. Esta seria a forma mais correta de cálculo deste índice.
d)     Valores elevados deste índice pode ser um sinal da qualidade do lucro, já que seu valor estaria mais próximo do fluxo de caixa. Entretanto, para empresas que revendem produtos, como é o caso de varejistas, este índice tende a ser menor.

19.4.12

PLC


Definição – corresponde a relação entre o P/L e a taxa de crescimento da empresa. Por relacionar um índice de avaliação de ação pelo crescimento, o PLC corresponde a um comparativo entre o valor da ação no mercado e o nível de crescimento dos lucros da empresa.

Fórmulas – PLC =  índice P/L / Crescimento do Lucro em %

Índice P/L = corresponde a relação entre o preço de mercado da ação pelo lucro por ação. Refere-se ao período de tempo necessário para que o lucro pague o valor de mercado da ação. Um P/L de 10 indica que em 10 períodos o lucro irá pagar o preço da ação. É um índice de valorização de uma ação no mercado.
Crescimento do Lucro em % = refere-se a taxa de crescimento do lucro da empresa em %.

Unidade de Medida – O índice ser uma divisão de um número absoluto por um percentual, sendo que o resultado final está em percentuais.

Intervalo da medida – O intervalo deste índice é amplo já que a empresa pode ter prejuízo e crescimento negativo. Considerando que este índice será usado para empresas com lucro e crescimento positivo, o intervalo irá variar em torno de 1, entre 0 a infinito.

Como calcular – Este índice deve ser usado para valores projetados. Assim, o índice P/L e a taxa de crescimento do lucro são montantes estimados pelo analista. Iremos mostrar como o índice funciona para situações históricas.
A figura a seguir foi retirada de um endereço de informação sobre a empresa Sanepar:

A Sanepar tinha um P/L de 13,10. Isto significa dizer quem em 13,1 anos o preço atual da ação da empresa irá retornar para o investidor sob a forma de lucro. A seguir a demonstração do resultado para mesma empresa em 2011 e 2010.

A empresa apresentou um crescimento de lucro de 83,87% no período.

O índice é dado por:

PLC = 13,1 / 83,87 = 0,16

Neste caso, a taxa de crescimento do lucro é muito superior a relação esperada para o nível de P/L. Isto faz com que o índice fique abaixo da unidade, indicando que mantendo este crescimento, o investimento na empresa seria interessante.

Grau de utilidade – Regular. Seu uso está condicionado a existência de lucro na empresa e que o mesmo seja crescente no tempo. Além disto, seu uso está restrito a empresas de capital aberto.

Controvérsia de Medida – Alguma. O índice deve ser usado em termos de projeção. Isto significa que cada analista poderá ter seu resultado.

Observações Adicionais
a)     Este índice mostra se o preço de uma ação está “barato” ou não. Valores menores que a unidade indicaria um preço de mercado atual atrativo, já que o crescimento futuro dos lucros conduziria a uma redução, no tempo, do índice P/L.
b)     Em termos de análise, valores menores são mais interessantes. É importante que o índice seja usado projetado e não usando informação do passado.
c)     Para fazer isto, o analista pode buscar um consenso de outros analistas com respeito ao desempenho da empresa. Ou fazer projeções. Observe que a taxa de crescimento histórica do lucro da empresa, de 83%, talvez seja irreal. Se usarmos uma taxa de 20%, o índice seria de 0,655, que ainda seria interessante a compra da ação. Para que não seja interessante comprar esta ação, o crescimento do lucro deve ficar em 13,1%, que corresponde ao índice P/L.
d)     Assim, quando a empresa irá crescer acima do P/L, o índice indicaria uma ação atrativa. Valores abaixo, a ação não seria interessante.
e)     Observe que o índice P/L possui variação diária. Isto significa que este índice também possui periodicidade diária.

FCL sobre VE


Definição – corresponde ao fluxo de caixa livre gerado pelo fluxo do empreendimento. O inverso do índice mostra em quanto tempo o fluxo de caixa livre “paga” o investimento na empresa.

Fórmulas – FCL sobre VE = (Fluxo de Caixa Livre / Valor do Empreendimento) x 100

Fluxo de Caixa Livre = Fluxo de Caixa das Atividades Operacionais – Gastos com manutenção de capital
Valor do Empreendimento = Valor de Mercado da Empresa + Dívida – Caixa e Equivalentes

Unidade de Medida – em valor percentual

Intervalo da medida – O índice pode variar entre -100% a infinito. Em geral o Fluxo de Caixa Livre é menor que o Valor do Empreendimento. Assim, o intervalo deve estar entre -100% a 100%. Valores negativos podem ocorrer em razão do fluxo de caixa livre.

Como calcular – O índice necessita do valor de mercado da empresa, do balanço patrimonial e da demonstração dos fluxos de caixa.

Para mostrar este índice iremos usar o exemplo da Petrobras. O valor de mercado da empresa, em 31 de dezembro de 2011, era de 298,2 bilhões de reais, conforme a figura a seguir:

O valor do empreendimento depende do valor da dívida e do valor do caixa. Isto pode ser obtido no Balanço Patrimonial :

Assim, o valor do empreendimento da Petrobrás é dado por:

VE no final de 2011 = 298,2 + 198,7+68,2 – 35,7 = 529,4 bilhões de reais

O fluxo de caixa livre é obtido a partir da DFC, cujo extrato é apresentado a seguir:

Assim, o fluxo de caixa livre para 2011 foi de 56,3 – 31,4 ou 24,9 bilhões.

O índice seria:

FCL sobre VE = 24,9 / 529,4 = 4,7%

Ou seja, o fluxo de caixa, reduzido do investimento, corresponde a 4,7% do valor do empreendimento. Gerando este caixa a empresa levaria 21,26 anos para pagar as compras das ações e as dívidas.

Grau de utilidade – Moderado. É um índice de investimento de longo prazo, que integra o valor de mercado com a geração de caixa da empresa. Existem algumas pesquisas onde este índice aparece como um importante previsor para o mercado de capitais.

Controvérsia de Medida – Alguma. Empresas que pagam dividendos anuais tendem a apresentar um valor de mercado elevado no final do ano, o que reduz o índice. O fluxo de caixa livre pode sofrer intervenção da administração da empresa, através da redução do volume de investimento necessário para que a empresa se mantenha no mercado.
Observações Adicionais
a)     Seria possível calcular este índice levando em consideração os títulos e valores mobiliários. Isto tende a reduzir o VE e, consequentemente, aumentar o índice.
b)     Maiores valores para este índice indicaria, no médio e longo prazo, que a empresa é uma pechincha. Isto seria um sinal de que a empresa consegue gerar bastante caixa nas suas atividades, já retirado os investimentos, em relação ao seu valor.
c)     O efeito do capital de terceiros pode variar conforme o tratamento da despesa financeira na DFC. Para as empresas que consideram a despesa financeira como sendo do fluxo de financiamento, maiores dívida entra no VE, mas não no FCL.


Esta é uma série de textos sobre os principais índices usados na análise das demonstrações contábeis.  Outros textos publicados foram: Distribuição do Valor Adicionado, Dividendo por lucro, Lucro por ação, Preço sobre vendas, Dividend yield, Capital Circulante Líquido, Custo da Dívida, Investimento sobre Depreciação, Composição do Endividamento, Cobertura de dívida,. Cobertura de investimento, Prazo de Pagamento a Fornecedores,  Taxa de Queima, Prazo de Estocagem, Valor Adicionado sobre Receita, Margem Líquida, Giro do Ativo, P/L, RSPL, Endividamento Oneroso, Endividamento, Fluxo de Caixa Livre, Ebitda, Margem Operacional, NIG sobre Vendas, Valor do Empreendimento, Capitalização, Margem Bruta, ROI e Liquidez Corrente. 

Lucro Líquido sobre Ativo

Definição – corresponde ao resultado líquido da entidade sobre o total de ativo. Expressa o retorno líquido do ativo.

Fórmulas
LL sobre Ativo = (Lucro Líquido / Ativo) x 100

Sendo
Lucro Líquido = corresponde ao lucro líquido após juros e imposto de renda.

Unidade de Medida – em percentual.

Intervalo da medida – Como a empresa pode ter lucro ou prejuízo, o intervalo da medida deve estar entre -100% a infinito. Se a empresa gera lucro, espera-se que o índice esteja abaixo de 100%

Como calcular – O índice pode ser obtido a partir do balanço patrimonial e da demonstração do resultado da empresa. A figura a seguir apresenta o ativo da Cemig, uma empresa de energia elétrica.

O ativo da empresa em 30 de setembro de 2011 era de 36,9 bilhões; no ano anterior era de 33,6 bilhões.
A próxima figura mostra a demonstração do resultado:

A empresa teve um lucro de R$1,7 bilhão até o final do terceiro trimestre de 2011, versus 1,6 bilhão nos nove primeiros meses de 2010. O índice pode ser calculado da seguinte forma:

Lucro Líquido sobre Ativo = (1706 455/36940 310) x 100 = 4,62%

Grau de utilidade – Regular, em razão da polêmica envolvendo este índice.

Controvérsia de Medida – Muita. É um índice muito usado e existente na literatura. Entretanto, possui problemas teóricos graves, pois associa o resultado líquido de uma empresa, que será distribuído para os acionistas, com o ativo. Neste sentido, a associação deveria ser entre o lucro operacional e o ativo ou entre o lucro líquido e o patrimônio líquido. Em razão disto, não aconselhamos seu uso em análise de desempenho de uma empresa.

Observações Adicionais
a)     Existe uma discussão sobre qual o melhor valor para o denominador: o valor inicial, o valor final ou o valor médio. A favor do valor final, que usamos no exemplo, existe somente o fato de você não perder uma informação numa série histórica. O valor médio tem sido recomendado na literatura, como uma aproximação mais adequada do ativo existente durante o exercício social. Entretanto, o uso do valor inicial também é defensável, por associar com o valor existente antes do início do exercício social.
b)     Também é possível usar o conceito de investimento, que está detalhado no índice retorno do investimento (ROI). As restrições apresentadas no item de controvérsia continuam.
c)     Multiplicando o índice por vendas apresenta que este índice é resultado da margem líquida pelo giro do ativo: LL/Ativo = (LL/Vendas) x (Vendas / Ativo) = Margem Líquida x Giro do Ativo. No caso da Cemig, para 30 de setembro, tem-se: LL/Ativo = 14,87 % x 0,31 = 4,62%. Ou seja, apesar da margem líquida de quase 15%, o volume elevado de ativo em relação as vendas faz com o que o índice seja menos de 5%. 


Esta é uma série de textos sobre os principais índices usados na análise das demonstrações contábeis.  Outros textos publicados foram: Distribuição do Valor Adicionado, Dividendo por lucro, Lucro por ação, Preço sobre vendas, Dividend yield, Capital Circulante Líquido, Custo da Dívida, Investimento sobre Depreciação, Composição do Endividamento, Cobertura de dívida,. Cobertura de investimento, Prazo de Pagamento a Fornecedores,  Taxa de Queima, Prazo de Estocagem, Valor Adicionado sobre Receita, Margem Líquida, Giro do Ativo, P/L, RSPL, Endividamento Oneroso, Endividamento, Fluxo de Caixa Livre, Ebitda, Margem Operacional, NIG sobre Vendas, Valor do Empreendimento, Capitalização, Margem Bruta, ROI e Liquidez Corrente. 

16.4.12

Distribuição do Valor Adicionado


Definição – Aqui temos um conjunto de índices. Trata-se da mensuração da distribuição do valor adicionado entre os recursos humanos, o governo, o capital de terceiros e o capital próprio.

Fórmulas

Distribuição aos Recursos Humanos = (Distribuição do Valor Adicionado ao Pessoal / Valor Adicionado Total a Distribuir) x 100
Distribuição ao Governo = (Distribuição do Valor Adicionado ao Governo/Valor Adicional Total a Distribuir) x 100
Remuneração ao Capital de Terceiros = (Remuneração ao Capital de Terceiros/Valor Adicional Total a Distribuir) x 100
Remuneração ao Capital Próprio = (Remuneração ao Capital Próprio/Valor Adicional Total a Distribuir) x 100

Sendo
Valor Adicionado Total a Distribuir = corresponde ao valor adicionado líquido produzido pela empresa somado com receitas financeiras e resultado de equivalência patrimonial. Corresponde ao que foi adicionado pela empresa na economia, retirado a depreciação, amortização e exaustão.
Distribuição do Valor adicionado ao Pessoal = refere-se a remuneração direta, os benefícios, FGTS e outros.
Distribuição do Valor Adicionado ao Governo = corresponde ao que a empresa distribuiu da sua geração de riqueza ao governo, sob a forma de impostos, taxas e contribuições (federais, estaduais e municipais).
Remuneração ao Capital de Terceiros = é a soma dos juros e alugueis que a empresa distribuiu para terceiros.
Remuneração ao Capital Próprio = compreende os dividendos, juros sobre capital próprio e lucros retidos no período.

Unidade de Medida – em percentual.

Intervalo da medida – Espera-se que os valores sejam positivos. Entretanto, podem ocorrer valores negativos em certas situações. A soma dos valores deve ser igual a 100%.

Como calcular – Os valores são apresentado na Demonstração do Valor Adicionado (DVA).
A figura abaixo apresenta um extrato da DVA da Companhia deBebidas das Américas Ambev para 2010 e 2011.

Em 2011 a empresa gerou 27 bilhões de reais em valor adicionado antes da distribuição. Os índices seriam calculados da seguinte forma:

Distribuição aos Recursos Humanos = (2 660 781/27 088 199) x 100 = 9,82%

Distribuição ao Governo = (14 371 578 / 27 088 199) x 100 = 53,05%

Remuneração ao Capital de Terceiros = (1336 076/27 088 199) x 100 = 4,93%

Remuneração ao Capital Próprio = (8719 764 / 27 088 199) x 100 = 32,19%

Isto significa dizer que o governo ficou com 53% do valor adicionado pela empresa, majoritariamente federal e estadual. Cerca de um terço foi para o capital próprio e o restante para os recursos humanos e o capital de terceiros. A participação do governo decorre do setor de atuação da empresa, que é muito tributado.

Grau de utilidade – Moderado. Existem quatro razões para isto. Esta demonstração é obrigatória somente para algumas empresas. Segundo, poucos países adotam, de maneira compulsória, esta informação. Isto limita sua utilidade em termos comparativos. Em terceiro lugar, é uma informação nova, com uma base de dados reduzida. Finalmente, os analistas estão despreparados para usá-la.

Controvérsia de Medida – Alguma. Na economia não se considera que o setor financeiro adicione valor para economia; para este setor, a DVA deve ser usada com ressalvas.

Observações Adicionais
a)     Assim como em outros índices é importante observar os fatores que compõe cada um dos valores. Na remuneração do capital próprio do exemplo apresentado a maior parcela de valor refere-se ao lucro retido na empresa, sendo a distribuição de dividendos correspondente a R$2 bilhões.
b)     Setores com elevadas alíquotas, com é o caso de bebidas e cigarros, deverão ter uma grande distribuição do resultado para governo. A DVA evidencia o esforço de arrecadação deste setor. Entretanto, muitos dos impostos correspondem a valores que são repassados para os clientes, sendo a empresa um “posto fiscal” do governo.
c)     A composição da distribuição do valor agregado pode sofrer influencia do ciclo de vida da empresa. Assim, empresas em fase de implantação, talvez tenham uma distribuição ao governo menor que as empresas já instaladas.
d)     Algumas distribuições de valor adicionado são mais flexíveis, podendo sofrer mais variações ao longo do tempo. O pagamento de impostos, que faz parte da distribuição ao governo, provavelmente deverá ser relativamente constante ao longo do tempo. Já a remuneração do capital próprio, que depende do resultado da empresa, deve sofrer mais variações ao longo do tempo.


Esta é uma série de textos sobre os principais índices usados na análise das demonstrações contábeis.  Outros textos publicados foram: Dividendo por lucro, Lucro por ação, Preço sobre vendas, Dividend yield, Capital Circulante Líquido, Custo da Dívida, Investimento sobre Depreciação, Composição do Endividamento, Cobertura de dívida,. Cobertura de investimento, Prazo de Pagamento a Fornecedores,  Taxa de Queima, Prazo de Estocagem, Valor Adicionado sobre Receita, Margem Líquida, Giro do Ativo, P/L, RSPL, Endividamento Oneroso, Endividamento, Fluxo de Caixa Livre, Ebitda, Margem Operacional, NIG sobre Vendas, Valor do Empreendimento, Capitalização, Margem Bruta, ROI e Liquidez Corrente. 

13.4.12

Dividendo por lucro


Definição – Este índice representa a taxa de distribuição do lucro para os acionistas.

Fórmula – Dividendo por lucro = [(Dividendos + Juros sobre o Capital Próprio)/Lucro Líquido] x 100
Sendo

Dividendos e Juros sobre Capital Próprio = representa o valor distribuído para o acionista sob a forma de dividendos e juros sobre o capital próprio
Lucro Líquido = corresponde ao lucro líquido da empresa, antes da distribuição do resultado

Unidade de Medida – em percentual.

Intervalo da medida – Este índice é obtido para valores positivos, variando entre zero a cem. Quanto mais próximo de 100% maior a distribuição do resultado por parte da empresa. Em razão das normas societárias brasileiras, o valor mínimo deveria ficar em geral acima de 25%.

Como calcular – Os valores podem ser obtidos na demonstração das mutações do patrimônio líquido. Ou então na demonstração dos fluxos de caixa do período seguinte e do resultado do atual exercício.

Veja o exemplo da holding Itau, conforme extrato apresentado na figura abaixo:

Durante o exercício (segundo semestre de 2011) a empresa teve um lucro acumulado de R$6,12 bilhões. Será destinado para os acionistas R$1,85 bilhão. Este índice pode ser calculado facilmente:

Dividendo por lucro = [1846 923 / 6 120571] x 100 = 30,2%

Ou seja, a empresa está distribuindo um pouco menos de um terço do lucro para seus acionistas.

Grau de utilidade – Elevado. Este índice mostra quanto está sendo distribuído do lucro por parte da empresa. Para o investidor é importante saber a possibilidade de ter um fluxo de dividendos ao longo dos anos.

Controvérsia de Medida – Alguma, referente ao uso da DMPL para fins de obtenção dos valores, conforme detalhado a seguir.

Observações Adicionais
a) Apesar de o índice referir-se aos dividendos, os aspectos contemplados também estão relacionados com os juros sobre o capital próprio.
b) Usamos a DMPL para o cálculo. É importante notar que o valor de dividendos apresentados na DMPL refere-se a uma proposta. O ideal seria usar o valor efetivamente distribuído. A alternativa para isto seria obter este valor na DFC no próximo exercício social. Entretanto, isto não garante que o cálculo esteja levando em consideração somente os dividendos gerados no exercício.
c) O inverso desta medida seria a taxa de retenção do lucro. No exemplo apresentado, a taxa de retenção seria 70% ou 1 – 30%.
d) Empresas em fase de expansão costumam reter lucros, resultando num índice reduzido. Entretanto é importante considerar que a existência da legislação societária sobre o assunto tende a elevar o valor distribuído mesmo nestas fases.
e) As empresas que não possuem alternativas de investimento geralmente apresentam um valor elevado para este índice.
f) Em geral as empresas apresentam um valor relativamente estável no tempo. Grandes variações neste índice pode ser um aspecto negativo para o investidor.
g) Para as empresas que distribuem dividendos adicionais após a assembleia dos acionistas deve-se tomar o cuidado de relacionar o valor distribuído pelo lucro do exercício correspondente. 


Esta é uma série de textos sobre os principais índices usados na análise das demonstrações contábeis.  Outros textos publicados foram: Lucro por ação, Preço sobre vendas, Dividend yield, Capital Circulante Líquido, Custo da Dívida, Investimento sobre Depreciação, Composição do Endividamento, Cobertura de dívida,. Cobertura de investimento, Prazo de Pagamento a Fornecedores,  Taxa de Queima, Prazo de Estocagem, Valor Adicionado sobre Receita, Margem Líquida, Giro do Ativo, P/L, RSPL, Endividamento Oneroso, Endividamento, Fluxo de Caixa Livre, Ebitda, Margem Operacional, NIG sobre Vendas, Valor do Empreendimento, Capitalização, Margem Bruta, ROI e Liquidez Corrente. 

12.4.12

Lucro por Ação


Definição – Corresponde ao lucro do período dividido pelo número de ações. Refere-se ao lucro que pode ser destinado aos acionistas.

Fórmula – Lucro por Ação = Lucro líquido do exercício / número de ações

sendo

Lucro Líquido = corresponde ao resultado líquido do exercício da empresa
Número de ações = refere-se ao número de ações emitidas pela empresa

Unidade de Medida – em reais.

Intervalo da medida – Este índice é calculado para valores positivos, variando entre zero a infinito. E possível também calcular o prejuízo por ação, mas em termos analíticos isto não faz muito sentido.

Como calcular – Para as empresas de capital fechado, basta dividir o lucro líquido, informação obtida na demonstração do resultado, pelo número de ações, que pode estar evidenciado nas notas explicativas. Em empresas com ações negociadas na bolsa de valores este valor está calculado nas demonstrações contábeis.

Veja o caso do Bradesco, que apresentamos um extrato das notas explicativas onde a empresa detalha o cálculo do lucro por ação:

A instituição financeira calculou o lucro separado dos acionistas ordinários e os preferenciais. O valor é obtido dividindo o lucro líquido pelo número médio de ações. Veja o seguinte exemplo:

LPA Acionistas Ordinários em 31 dez 2011 = 5221 168/1908 949 = R$2,74

Grau de utilidade – Moderado. Este índice pode ser útil quando usado em conjunto com outros índices e analisado em termos históricos. Entretanto sua utilidade é prejudicada por ser um valor específico para cada empresa. Assim, um LPA de 5,00 para uma empresa pode ser elevado, mas para outra pode ser reduzido.

Controvérsia de Medida – Alguma. A CVM possui norma específica sobre a forma de cálculo, o que reduz os problemas.

Observações Adicionais
a)  Em geral este índice não apresenta variação expressiva ao longo do tempo. As empresas evitam uma flutuação grande neste índice, já que isto pode indicar um risco mais elevado;
b)  Valores mais elevados do lucro por ação geralmente estão associados a distribuição de dividendos.
c)  Quando confrontado com o preço da ação, este índice pode revelar um parâmetro de retorno do investimento para o acionista. No dia que escrevemos este texto, no início de abril de 2012, o preço da ON do Bradesco estava em 25,57. Com um LPA de 2,74, isto indicaria que comprar a ação da empresa levaria a um retorno anual de 10,70 em termos de lucros (sem levar em consideração a valorização das ações).


Esta é uma série de textos sobre os principais índices usados na análise das demonstrações contábeis.  Outros textos publicados foram: Preço sobre vendas, Dividend yield, Capital Circulante Líquido, Custo da Dívida, Investimento sobre Depreciação, Composição do Endividamento, Cobertura de dívida,. Cobertura de investimento, Prazo de Pagamento a Fornecedores,  Taxa de Queima, Prazo de Estocagem, Valor Adicionado sobre Receita, Margem Líquida, Giro do Ativo, P/L, RSPL, Endividamento Oneroso, Endividamento, Fluxo de Caixa Livre, Ebitda, Margem Operacional, NIG sobre Vendas, Valor do Empreendimento, Capitalização, Margem Bruta, ROI e Liquidez Corrente.