11.4.12

Preço sobre Vendas


Definição – Este índice mostra a relação entre a capitalização da empresa e o valor da receita líquida de vendas.

Fórmula – Preço sobre Vendas = Preço da ação / Venda por ação

A expressão também pode ser obtida a partir da seguinte relação:

Preço sobre Vendas = Capitalização / Receita Líquida de Venda

Onde

Capitalização = corresponde ao valor de mercado da empresa
Receita Líquida de Venda = receita das vendas reduzida de abatimentos de vendas, devolução e impostos sobre vendas. Este valor da receita é anual.

Unidade de Medida – em números absolutos.

Intervalo da medida – Este índice pode variar entre zero a infinito. Valores muito elevados podem indicar uma valorização excessiva das ações da empresa. Valores reduzidos representa uma situação onde a valorização das ações está abaixo do esperado.

Como calcular – Para da informação pode ser obtida na demonstração do resultado da empresa. Parte pode ser obtida a partir da cotação das ações da empresa na bolsa de valores. Isto foi tratado no índice de capitalização.
A figura abaixo mostra um trecho da demonstração do resultado da Companhia Brasileira de Distribuição (CBD)  referente aos dois últimos anos.

Durante o ano de 2011 a empresa teve uma receita de 17,7 bilhões de reais. A capitalização da empresa no final de 2011 é de 17,3 bilhões, conforme mostra a figura a seguir:

Com estas informações, o índice será dado por:

Preço sobre Vendas = 17,33 / 17,94 = 0,98

Ou seja, o valor de mercado corresponde a quase um ano de vendas da empresa. No ano anterior o índice era de:

Preço sobre Vendas = 19,98 / 16,965 = 1,18

Indicando uma desvalorização do valor de mercado da empresa no período.

Grau de utilidade – Moderado. O índice é usado somente para empresas com ações negociadas na bolsa de valores. Entretanto, este índice tem sido muito usado para fazer projeção de empresas inovadoras, que não geram lucro nos primeiros anos de vida útil e que são de capital fechado. Neste caso, usa uma média do setor para fazer a projeção.

Controvérsia de Medida – Alguma. Um dos aspectos críticos é seu uso para fazer estimativa de valor das empresas com baixo fluxo de caixa. Isto inclusive tem incentivado algumas empresas a “inflacionarem” suas receitas, sendo o caso mais famoso o da empresa dos EUA de venda de passagens Priceline.

Observações Adicionais
a)     Usamos no exemplo o valor de mercado do final do ano. Alternativas disponíveis incluem o valor de meados do ano ou o valor inicial. O importante é que o cálculo seja padronizado para outras empresas do mesmo setor.
b)     O índice é muito influenciado pelo comportamento do mercado acionário. Em períodos de alta na bolsa de valores o índice tende a aumentar. Nestes períodos é relevante a comparação com empresas do mesmo setor.

Esta é uma série de textos sobre os principais índices usados na análise das demonstrações contábeis.  Outros textos publicados foram: Dividend yield, Capital Circulante Líquido, Custo da Dívida, Investimento sobre Depreciação, Composição do Endividamento, Cobertura de dívida,. Cobertura de investimento, Prazo de Pagamento a Fornecedores,  Taxa de Queima, Prazo de Estocagem, Valor Adicionado sobre Receita, Margem Líquida, Giro do Ativo, P/L, RSPL, Endividamento Oneroso, Endividamento, Fluxo de Caixa Livre, Ebitda, Margem Operacional, NIG sobre Vendas, Valor do Empreendimento, Capitalização, Margem Bruta, ROI e Liquidez Corrente. 


10.4.12

Dividend yield


Definição – Este índice mede a distribuição de resultados para os acionistas pelo valor de mercado do capital próprio. Corresponde ao grau de distribuição de resultado por cada unidade de valor de mercado.

Fórmula – Dividend Yield = Dividendos / Valor de Mercado

Ou então Dividend Yield = Dividendos por ação / Preço de Mercado da Ação

Dividendos = valor distribuído ao acionista. Em virtude das peculiaridades do nosso mercado, deve incluir tanto os dividendos quanto os juros sobre o capital próprio.
Valor de Mercado = corresponde ao valor de mercado do capital próprio ou capitalização. Representa o valor de mercado das ações da empresa.

Unidade de Medida – em números absolutos. Se multiplicar o valor por 100 o resultado será em percentual.

Intervalo da medida – Este índice pode variar entre zero e um. Em casos extremos e raros pode ser maior que a unidade. Nesta situação, a empresa distribuiu dividendos numa parcela maior que o valor de mercado.

Como calcular – Parte da informação é obtida nas demonstrações contábeis da empresa. A outra parte, o valor de mercado, em endereços da internet. Veja o exemplo da Souza Cruz. O valor dos dividendos distribuídos pode ser obtido na demonstração dos fluxos de caixa:

A empresa distribuiu R$1,583 bilhão em 2011. O valor de mercado da empresa pode ser obtido em endereços que já citamos na postagem sobre capitalização. O valor de mercado ao final de 2010 era de R$27,6 bilhões.

O índice pode então ser calculado da seguinte forma:

Dividend Yield = 1,583 / 27,6 = 0,057

Indicando que para cada R$ investido no final de 2010 o acionista teria um dividendo de R$0,057.

Grau de utilidade – Moderado. Pode ser usado para selecionar as empresas pagadoras de dividendos ao longo do tempo, daquelas onde o retorno decorre da valorização do preço das ações.  Em situações de perpetuidade (modelo Gordon de dividendos descontados), o índice somado a taxa de crescimento corresponde ao custo do capital próprio.

Controvérsia de Medida – Alguma. Observe que usamos o valor de mercado inicial para confrontar com os dividendos pagos em 2011. É possível usar o valor médio ou o valor no final do período. Quando as ações estão crescendo, como é o caso da Souza Cruz, o uso do valor inicial tende a apresentar um índice mais elevado. As escolhas diferentes podem conduzir a valores diferentes. No caso da Souza Cruz, a empresa informou  um índice de 0,059, um pouco acima do que calculamos aqui.

Observações Adicionais
a)     Em caso de ausência do fluxo de caixa, pode-se usar a informação da DMPL referente à distribuição proposta de dividendos como uma aproximação. E existindo a informação no balanço patrimonial dos dividendos a pagar, o valor dos dividendos pagos corresponde ao valor existente na DMPL mais a variação de dividendos a pagar do passivo da empresa;
b)     Em razão da obrigatoriedade de distribuição mínima de dividendos existente na nossa legislação, alguns analistas consideram que esta medida pode ser afetada por esta exigência;
c)     Este índice pode servir de parâmetro para verificar a evolução da política de dividendos da empresa ao longo do tempo. Empresas com maiores índices pagam mais dividendos. Além disto, pode ser um índice interessante para aqueles que procuram ações subavaliadas pelo mercado e que pagam bons dividendos.

Esta é uma série de textos sobre os principais índices usados na análise das demonstrações contábeis.  Outros textos publicados foram: Capital Circulante Líquido, Custo da Dívida, Investimento sobre Depreciação, Composição do Endividamento, Cobertura de dívida,. Cobertura de investimento, Prazo de Pagamento a Fornecedores,  Taxa de Queima, Prazo de Estocagem, Valor Adicionado sobre Receita, Margem Líquida, Giro do Ativo, P/L, RSPL, Endividamento Oneroso, Endividamento, Fluxo de Caixa Livre, Ebitda, Margem Operacional, NIG sobre Vendas, Valor do Empreendimento, Capitalização, Margem Bruta, ROI e Liquidez Corrente. 

9.4.12

CCL


Definição – Este índice mede a diferença entre o ativo circulante e o passivo circulante da empresa. Apresenta se existe folga nos ativos de curto prazo em relação aos passivos de curto prazo.  

Fórmula – CCL = Ativo Circulante – Passivo Circulante
Sendo
Ativo Circulante = ativo de curto prazo da empresa
Passivo Circulante = passivo de curto prazo

Unidade de Medida – Em unidades monetárias

Intervalo da medida – Este índice pode assumir valores positivos e negativos. Como sua unidade de medida é em valores absolutos, os resultados podem ser expressivos para empresas de grande porte.

Como calcular – O índice pode ser calculado a partir do balanço patrimonial da empresa.
A seguir encontra-se um pedaço do balanço patrimonial da CCR, uma empresa na área de concessões rodoviárias.

O ativo circulante da empresa, no final de 2011, foi de 1,4 bilhão.A próxima figura mostra o passivo circulante da empresa:

O passivo circulante é de R$2,9 bilhão. Com estas informações podemos obter o CCL da empresa:

CCL = 1380 739 – 2912 071 = - R$1 531 332

Indicando que a empresa possui um capital circulante líquido negativo em R$1,5 bilhão.

Grau de utilidade – Regular. A informação o CCL também pode ser obtida na liquidez corrente. O fato de ser um número absoluto dificulta a comparação entre as empresas.

Controvérsia de Medida – Não. É recomendável proceder a reclassificação das duplicatas descontadas para passivo circulante antes de efetuar o cálculo.

Observações Adicionais
      a) Este índice também é denominado de Capital de Giro Líquido, ou CGL.
      b)     Quando o CCL é negativo isto significa que a liquidez corrente é menor de a unidade. No caso da empresa CCR a liquidez para o final de 2011 foi de 0,47.
      c)     Um CCL negativo pode indicar um maior nível de risco. Neste caso, as dívidas de curto prazo da empresa são superiores aos ativos de curto prazo.
      d)     Entretanto, algumas empresas podem sobreviver mesmo com o CCL negativo. Muitas vezes este fato decorre do próprio processo operacional da empresa, mas outras é resultado de dívidas que irão vencer no próximo exercício e que serão trocadas por dívidas de curto prazo. O exemplo da CCR mostra uma empresa com elevada dívida de debêntures (R$1,75 bilhão).
        
        Esta é uma série de textos sobre os principais índices usados na análise das demonstrações contábeis.  Outros textos publicados foram: Custo da Dívida, Investimento sobre Depreciação, Composição do Endividamento, Cobertura de dívida,. Cobertura de investimento, Prazo de Pagamento a Fornecedores,  Taxa de Queima, Prazo de Estocagem, Valor Adicionado sobre Receita, Margem Líquida, Giro do Ativo, P/L, RSPL, Endividamento Oneroso, Endividamento, Fluxo de Caixa Livre, Ebitda, Margem Operacional, NIG sobre Vendas, Valor do Empreendimento, Capitalização, Margem Bruta, ROI e Liquidez Corrente

5.4.12

Custo da Dívida


Definição – Este índice mede qual o custo da dívida com capital de terceiros da empresa.

Fórmula – Custo da Dívida = (Despesa Financeira / Capital de Terceiros Oneroso) x 100

Sendo
Despesa Financeira = corresponde ao valor dos juros relacionados com o passivo oneroso
Capital de Terceiros Oneroso = refere-se ao passivo oneroso, geralmente empréstimos e financiamento, de curto e de longo prazo.

Unidade de Medida – Em percentual.

Intervalo da medida – Em situações normais, este índice varia de zero a infinito. Entretanto, empréstimos em moeda estrangeira, em períodos de forte valorização cambial, pode fazer com que a empresa venha apresentar, como exceção, um índice negativo. Isto indicaria que a empresa ganhou com a captação de terceiros.

Como calcular – O índice pode ser calculado a partir do Balanço Patrimonial e a Demonstração do Resultado. É também relevante consultar as notas explicativas.

Considere o extrato do balanço patrimonial da empresa Marcopolo, apresentado a seguir.

O valor do passivo oneroso, para final de 2011, corresponde a 1,482 bilhão, que é a soma de empréstimos e financiamentos, circulante e não circulante. Para final de 2010 foi de 1,361 bilhão. Nos dois anos a média foi de 1,422 bilhão.

Para encontrar a despesa financeira podemos usar a demonstração do resultado. No caso da MarcoPolo tem-se:

Ou seja, a despesa financeira é de 182 milhões de reais.

Assim, o custo da dívida é dado por:

Custo da Dívida = (182 357 / 1 422 095) = 12,82 %

Entretanto, muitas vezes a informação de despesa financeira encontra-se melhor detalhada nas notas explicativas. No caso da empresa, eis o detalhamento do item “despesa financeira” da demonstração do resultado:

Ou seja, existem valores que não estão diretamente relacionados com o passivo oneroso. Considerando somente os itens destacados na figura tem-se que a despesa financeira foi 147,6 milhões de reais. Assim, o custo da dívida foi de:

Custo da Dívida = 147 621 / 1422 095 = 10,38%

Grau de utilidade – Elevado. O custo da dívida é um parâmetro fundamental na decisão financeira. Valores elevados podem indicar que o risco da empresa é elevado.

Controvérsia de Medida – Alguma. Existem algumas simplificações que adotamos aqui, que podem gerar controvérsia. A empresa possui muitos empréstimos em moeda estrangeira. O custo da dívida pode variar conforme o comportamento do câmbio. Entretanto, a existência de hedge pode minimizar este efeito. Isto deve ser considerado ou não no cálculo? Outro aspecto refere-se ao denominador: usamos o valor médio. Talvez o mais coerente fosse usar o valor inicial (ou de 31 de dezembro de 2010). Entretanto, em ambas as situações nós perdemos uma informação na série histórica.

Observações Adicionais
a)     O valor apresentado encontra-se em termos nominais. Para transformar em valores reais, retirando o efeito da inflação, basta usar a expressão de Fisher. Usando 5,04% de taxa de inflação, o custo real da dívida seria 5,08% ou [1,1038/1,0504 – 1].
b)     O custo da dívida expressa o risco considerado pelo capital de terceiros. Valores elevados indicam que as instituições financeiras consideram a empresa arriscada e cobram uma taxa de juros elevada;
c)      Para empresas com empréstimo em moeda estrangeira é necessário estar atento para os efeitos da valorização e desvalorização da moeda. No caso da Marcopolo as parcelas mais expressivas são de empréstimos em moeda nacional.
d)     A movimentação de taxas básicas também pode afetar o custo da dívida. Alterações na TJLP, para uma empresa com empréstimos atrelados a esta taxa, pode afetar o custo da dívida. Na Marcopolo 38% dos passivos onerosos estão vinculados a TJLP.
e)     Deveriam ser inclusos no custo da dívida qualquer tipo de reciprocidade exigida por instituição financeira. Isto inclui saldo médio, obrigação de compra de produtos e serviços bancários, entre outros itens. Entretanto, isto é muito difícil para o analista externo.

Esta é uma série de textos sobre os principais índices usados na análise das demonstrações contábeis.  Outros textos publicados foram: Investimento sobre Depreciação, Composição do Endividamento, Cobertura de dívida,. Cobertura de investimento, Prazo de Pagamento a Fornecedores,  Taxa de Queima, Prazo de Estocagem, Valor Adicionado sobre Receita, Margem Líquida, Giro do Ativo, P/L, RSPL, Endividamento Oneroso, Endividamento, Fluxo de Caixa Livre, Ebitda, Margem Operacional, NIG sobre Vendas, Valor do Empreendimento, Capitalização, Margem Bruta, ROI e Liquidez Corrente

4.4.12

Investimento sobre Depreciação


Definição – Mede o investimento que uma empresa está fazendo nos ativos de longo prazo em relação a depreciação. Corresponde a reposição e expansão dos ativos de longo prazo.

Fórmula – Investimento sobre Depreciação = (Fluxo de Caixa dos Investimentos Bruto de longo prazo / Depreciação )

Sendo
Fluxo de Caixa de Investimento Bruto de Longo Prazo – corresponde ao valor bruto investido em máquinas, equipamentos, veículos, instalações, etc.
Depreciação – refere-se a despesa de depreciação do ativo não circulante durante o exercício.

Unidade de Medida – O índice está expresso em valores unitários.


Intervalo da medida – O índice pode variar entre zero a infinito. Valores próximos a unidade indicam que o investimento bruto corresponde ao valor depreciado durante o exercício. Valores acima da unidade indicam um crescimento no investimento em relação a depreciação. Valores abaixo da unidade correspondem à situação onde o montante investido pela empresa é inferior ao valor depreciado, podendo existir um sucateamento dos ativos de longo prazo.

Como calcular – O índice pode ser obtido na Demonstração dos Fluxos de Caixa da empresa e nas notas explicativas.
A figura a seguir mostra a DFC da Natura para 2011, em milhares de reais.

A primeira linha após o lucro líquido diz respeito a depreciação e amortização de 2011 e 2010, com valores de 110 milhões e 89 milhões.

A figura acima mostra que a empresa gastou R$346 e 237 milhões em investimento bruto. Assim, o índice seria:

Investimento sobre Depreciação 2011 = 346 367 / 109 921 = 3,15
Investimento sobre Depreciação 2010 = 236 876 / 88 848 = 2,67

A empresa investiu 3,15 vezes a depreciação, indicando uma forte expansão no parque industrial.

Grau de utilidade – Regular. Indicado para empresas industriais e quando o analista pretende verificar a política de investimento da empresa.

Controvérsia de Medida – Alguma. Este é um índice de longo prazo da empresa.

Observações Adicionais
a) Quando a finalidade da empresa é permanecer no mercado, ou quando o setor de atuação terá um crescimento vegetativo, este índice deve estar próximo a unidade;
b) Valores muito elevados podem ser perigosos. Nestas situações, a empresa pode estar investindo muito acima da capacidade do mercado em absorver seus produtos. Isto poderá implicar em capacidade ociosa no futuro;
c) Valores reduzidos, próximos de zero, podem indicar uma política de redução perigosa de investimento, que compromete a participação do mercado no futuro.
d) Para as empresas com sazonalidade de investimento, este índice deve ser considerado no longo prazo. Estas empresas geralmente apresentam ciclos com elevada concentração de investimento, podendo também apresentar índices reduzidos durante um longo período de tempo. Neste caso, o acompanhamento do índice pode ser interessante para verificar quando ocorrerão os momentos de investimentos.
e) No longo prazo este índice deveria corresponder a taxa de crescimento do seu mercado mais a unidade. Assim, se o mercado de atuação possui uma projeção de crescimento de 15% ao ano, este índice deveria ter um valor de 1,15.

3.4.12

Composição do Endividamento


Definição – Este índice, também denominado de perfil da dívida, mostra a relação entre o passivo de curto prazo da empresa e o passivo total. Ou seja, qual o percentual de passivo de curto prazo é usado no financiamento de terceiros.

Fórmula – Composição do endividamento = (Passivo Circulante / Passivo) x 100

Sendo
Passivo Circulante – refere-se ao passivo de curto prazo usado pela empresa, ajustado pelas duplicatas e cheques descontados.
Passivo Total – corresponde ao capital de terceiros da empresa, ajustado pelas duplicatas e cheques descontados.

Unidade de Medida – O índice está expresso em percentagem, mostrando quantos por cento a empresa financia com recursos de curto prazo.


Intervalo da medida – Este índice irá variar entre zero e cem. Quanto mais próximo de cem, maior o uso de recursos de curto prazo.

Como calcular – Este índice é obtido com os valores do balanço patrimonial da empresa.

A figura a seguir é o balanço da empresa JBS, referente ao exercício encerrado em 31 de dezembro de 2011, em milhares de reais.

Para obter o índice basta usar as informações da figura:

Composição do Endividamento = [10 395 699 / (10395 699 + 15 415 997)] x 100
Composição do Endividamento = 40,3%

Isto significa que 40% da dívida com terceiros é de curto prazo. No ano anterior este índice era de 37,5%.

Grau de utilidade – Elevado. É um índice importante para saber o grau de compromisso de curto prazo da empresa. Ele deve ser usado em conjunto com outros índices para ter uma ideia precisa dos financiamentos da empresa.

Controvérsia de Medida – Alguma, referente a reclassificação

Observações Adicionais

a) Como todo índice, é importante que esta medida seja complementada com outras. Assim, uma análise com somente o endividamento oneroso pode revelar o grau de dificuldade da empresa com seus financiadores.
b) Valores elevados indicam um perfil da dívida mais arriscado. Isto pode representar, na teoria, um custo menor, mas o risco é maior.


Esta é uma série de textos sobre os principais índices usados na análise das demonstrações contábeis.  Outros textos publicados foram: Cobertura de dívida,. Cobertura de investimento, Prazo de Pagamento a Fornecedores,  Taxa de Queima, Prazo de Estocagem, Valor Adicionado sobre Receita, Margem Líquida, Giro do Ativo, P/L, RSPL, Endividamento Oneroso, Endividamento, Fluxo de Caixa Livre, Ebitda, Margem Operacional, NIG sobre Vendas, Valor do Empreendimento, Capitalização, Margem Bruta, ROI e Liquidez Corrente



2.4.12

Cobertura de Dívida


Definição – este índice se o fluxo das operações pode ser usado para pagar as dívidas da empresa.

Fórmula – Cobertura de dívidas = (Fluxo de Caixa das Operações / Passivo)

Sendo
Fluxo de Caixa das operações – refere-se ao fluxo de caixa gerado pela empresa nas atividades
Passivo Total – corresponde ao capital de terceiros da empresa, ajustado pelas duplicatas e cheques descontados.

Unidade de Medida – O valor do índice está expresso em percentagem, indicando quantos por cento a empresa obteve de caixa para cada unidade de passivo. O analista deve estar atento para o período usado no fluxo de caixa ao fazer a comparação histórica ou com outras empresas.

Intervalo da medida – Como este índice deve ser usado quando o fluxo de caixa das operações for positivo. O índice pode variar entre zero a infinito. Índices acima de cem por cento indicam que a empresa consegue pagar seus passivos com o fluxo gerado no exercício.

Como calcular – Os valores são obtidos na demonstração dos fluxos de caixa. É importante lembrar que este índice deve ser usado quando o fluxo das operações for positivo.

Iremos usar neste índice o exemplo da Abril Educação, uma empresa na área de livros (Scipione e Ática) e cursos (Anglo e pH). As informações são referentes ao ano de 2011 e foram obtidas no sítio da empresa.
Inicialmente aparece a seguir um pedaço da DFC da empresa.



Abaixo, as informações do passivo da Abril Educação.
 Como o fluxo das operações foi positivo somente em 2011, iremos usar este índice para este período. Temos então:

Cobertura de Dívidas = (102 500 / 792 967 ) x 100 = 12,9%

Isto significa dizer que o fluxo das operações permite quitar 12,9% das dívidas do passivo da empresa.

Grau de utilidade – Regular. Este índice só pode ser usado quando a geração de caixa é positiva. Em situações onde a empresa não gera caixa com as atividades operacionais não faz sentido calcular este índice.

Controvérsia de Medida – Alguma, em especial sobre qual o valor do passivo que devemos usar. Temos dois aspectos aqui. O primeiro é se deve ser o valor final ou o valor médio. No caso da empresa do exemplo, isto não afetaria muito o resultado final; mas poderão existir situações práticas onde isto não é o usual. O segundo, é se devemos considerar todo o passivo ou somente o passivo oneroso ou somente o passivo de curto prazo. Se no exemplo tivéssemos usado somente o passivo oneroso, o valor do índice seria de 37%, indicando que o fluxo das operações permitiria quitar mais de um terço das dívidas. Se fosse usado o passivo de curto prazo o valor seria de 29%.

Observações Adicionais
a) O inverso do índice indica quanto tempo a empresa levaria para pagar sua dívida com o fluxo gerado com as operações;
b) O uso do passivo do final do período possui duas grandes vantagens sobre o uso do passivo médio: em primeiro lugar, ganhamos uma informação; em segundo lugar, é mais intuitivo pensar que o fluxo gerado “será” usado para pagar a dívida existente no final do período (a dívida do início que não existe mais já foi paga).
c) A análise por tipo de passivo pode ser interessante. Observe que o índice é: FC Operações / Passivo. Multiplicando ambos por passivo circulante: [FCO x PC] / [P x PC], que corresponde a cobertura das dívidas de curto prazo vezes a participação da dívida de curto prazo no total da dívida. Denominamos esta parcela de composição da dívida. No caso a empresa que analisamos tempos que a cobertura da dívida foi de 12,9%, que corresponde a cobertura da dívida de curto prazo ou 29,3% vezes a participação da dívida de curto prazo no passivo, que é de 44,1%. Temos então que 12,9% = 29,3% x 44,1%.

Esta é uma série de textos sobre os principais índices usados na análise das demonstrações contábeis.  Outros textos publicados foram: Cobertura de investimento, Prazo de Pagamento a Fornecedores,  Taxa de Queima, Prazo de Estocagem, Valor Adicionado sobre Receita, Margem Líquida, Giro do Ativo, P/L, RSPL, Endividamento Oneroso, Endividamento, Fluxo de Caixa Livre, Ebitda, Margem Operacional, NIG sobre Vendas, Valor do Empreendimento, Capitalização, Margem Bruta, ROI e Liquidez Corrente

30.3.12

Cobertura de Investimento


Definição – este índice mostra quanto do investimento que a empresa realizou estaria coberto pelo seu caixa gerado nas operações. Corresponde a um índice de autofinanciamento.

Fórmula – Cobertura de Investimento = [Fluxo de Caixa das Operações / | Fluxo de Caixa de Investimento |] x 100

Sendo
Fluxo de Caixa das operações – corresponde ao fluxo de caixa gerado pela empresa nas atividades
Fluxo de Caixa de Investimento – refere-se ao fluxo gerado nas atividades de investimento ou caixa líquido usado nas atividades de investimento.

Unidade de Medida – Em percentagem. Representa quantos por cento a empresa foi autofinanciada.


Intervalo da medida – varia entre zero e infinito, já que o índice não é usado quando o fluxo das operações for negativo e o fluxo de investimento for positivo.

Como calcular – Os valores são obtidos na demonstração dos fluxos de caixa da empresa. É importante lembrar que este índice deve ser usado quando o fluxo das operações for positivo e o fluxo dos investimentos negativo.

Veja o exemplo da empresa Abyara (Brasil Brokers), referente ao fluxo consolidado, de 2011 e 2010, nesta ordem, em R$mil, na figura abaixo:

A cobertura de investimento é dado por:

Cobertura de Investimento em 2011 = 115 951 / |248 564| = 0,47 ou 47%.

Isto significa dizer que o caixa gerado nas atividades operacionais da empresa conseguiu cobrir 47% dos investimentos realizados. No ano anterior o valor era de:

Cobertura de investimento em 2010 = 61 932 / |20634| = 3,00

Indicando que o fluxo das operações foi mais do que necessário para pagar os investimentos.

Grau de utilidade – Regular. A necessidade que o fluxo das operações seja positivo e o fluxo dos investimentos seja negativo restringe seu uso. Além disto, a demonstração dos fluxos de caixa ainda está restrita a algumas empresas.

Controvérsia de Medida – Não.

Observações Adicionais
a) Quando uma empresa consegue um índice maior que a unidade, isto evitaria, a princípio, a necessidade de captação de recursos com acionistas ou capital de terceiros;
b) Empresas em fase de implantação terão valores reduzidos para este índice.
c) Valores elevados pode indicar que a empresa não consegue usar, em investimentos, o caixa gerado. Isto pode comprometer o crescimento futuro da empresa.

Esta é uma série de textos sobre os principais índices usados na análise das demonstrações contábeis.  Outros textos publicados foram: Prazo de Pagamento a Fornecedores,  Taxa de Queima, Prazo de Estocagem, Valor Adicionado sobre Receita, Margem Líquida, Giro do Ativo, P/L, RSPL, Endividamento Oneroso, Endividamento, Fluxo de Caixa Livre, Ebitda, Margem Operacional, NIG sobre Vendas, Valor do Empreendimento, Capitalização, Margem Bruta, ROI e Liquidez Corrente

29.3.12

Prazo de Pagamento a Fornecedores


Definição – Indica o número de dias que a empresa leva para pagar seus fornecedores.

Fórmula – Prazo Médio de Pagamento aos Fornecedores = (Fornecedores Médio / Compras) x 360

Sendo
Fornecedores Médio – representa as dívidas com fornecedores. Pode ser circulante e não circulante. Em geral usa-se o valor inicial desta conta mais o valor final dividido por dois.
Compras – representa a média de compras do período. Em algumas empresas este é um valor difícil de obter, podendo ser substituído pelo custo dos produtos e serviços. Caso o valor seja trimestral, o índice será multiplicado por 90; sendo anual, por 360.

Unidade de Medida – Em dias. É possível calcular em meses ou ano. Se a demonstração for anual e os valores forem multiplicados por 12 teremos o resultado em meses. Se for anual e multiplicado por 1, o valor final estará em anos.

Intervalo da medida – Este índice só assume valores positivos. O usual é que o prazo de pagamento aos fornecedores esteja entre zero e 360 dias.

Como calcular – O valor de fornecedores é obtido no balanço patrimonial. Compras é possível calcular a partir da informação da demonstração do resultado. Este valor é difícil de ser obtido a partir das informações divulgadas pela empresa.

A figura a seguir corresponde ao balanço patrimonial da empresa Rossi, referente a 31 de dezembro de 2011.

Como é possível perceber, a empresa possuía na conta de Fornecedores de curto prazo, no valor de R$94 milhões de reais, no final do período. O valor médio é dado por:

Fornecedores Médio = (94 161 + 74 732) / 2 = 82 946,5

A figura abaixo apresenta a demonstração do resultado da empresa para o quarto trimestre de 2011.


O valor destacado refere-se ao custo de obras e terrenos da empresa, que para o último trimestre de 2011 foi de 615 milhões. Como não temos o valor das compras, usamos este item como uma aproximação.
Prazo de Pagamento aos fornecedores = (82 946,5 / 616 642) x 90 = 12,14 dias

Grau de utilidade – Elevado. Este índice é importante para saber quanto tempo a empresa está sendo financiada pelo principal passivo não oneroso, a conta de fornecedores.

Controvérsia de Medida – Alguma. Usamos no exemplo o custo, e não o valor das compras do período. No documento que acessamos não existia esta informação. Assim, o resultado obtido talvez não expresse o verdadeiro prazo de pagamento aos fornecedores.

Observações Adicionais
a) Quando o analista deseja fazer uma análise histórica e a quantidade de informações é reduzida, é comum usar somente o valor final de fornecedores. Assim evita-se perder uma informação da série histórica.
b) Valores reduzidos para o prazo pode indicar que a empresa não consegue obter prazo dos seus fornecedores para financiar seus ativos. Mas valores elevados pode indicar dificuldade em efetuar o pagamento aos fornecedores.
c) É sempre importante analisar as características do setor de atuação da empresa na análise.
d) Variações sazonais podem ajudar a explicar o comportamento deste índice para algumas empresas e setores. Em períodos que antecedem ao aumento das atividades as empresas tendem a aumentar o valor das suas compras, que interfere no prazo.

Esta é uma série de textos sobre os principais índices usados na análise das demonstrações contábeis.  Outros textos publicados foram: Taxa de Queima, Prazo de Estocagem, Valor Adicionado sobre Receita,
Margem Líquida, Giro do Ativo, P/L, RSPL, Endividamento Oneroso, Endividamento, Fluxo de Caixa Livre, Ebitda, Margem Operacional, NIG sobre Vendas, Valor do Empreendimento, Capitalização, Margem Bruta, ROI e Liquidez Corrente


28.3.12

Taxa de queima

Definição – Para as empresas que não estão gerando caixa com as atividades operacionais mostra quanto tempo o capital circulante líquido será consumido na empresa

Fórmula – Taxa de Queima = Capital Circulante Líquido /|Fluxo de Caixa das Operações|

Sendo
Capital Circulante Líquido = diz respeito a diferença entre o ativo circulante e o passivo circulante. Só é usado quando o CCL for positivo.
Fluxo de Caixa das Atividades Operacionais = corresponde ao caixa gerado pela empresa derivado as atividades operacionais. O índice é calculado quando este item é negativo. Assim, usamos o módulo do valor no índice.

Unidade de Medida – Em exercícios sociais. Se o fluxo for anual indica quantos anos, mantendo a empresa este desempenho, irá suportar seu CCL.

Intervalo da medida – O índice só pode ser usado para situações onde o denominador é negativo e o numerador é positivo. Como usamos módulo de fluxo de caixa, o intervalo estará entre zero a infinito.

Como calcular – Os valores são obtidos na demonstração dos fluxos de caixa e no balanço patrimonial.
Para exemplificar, considere o balanço da Marfrig, controladora. O fluxo de caixa das atividades operacionais é apresentado a seguir.
A empresa não tem gerado caixa nos dois últimos anos: R$1,05 bilhão e R$960 milhões, em 2011 e 2010. Isto significa que o fluxo de caixa é negativo, que corresponde a primeira condição para o uso do indicador.
Para calcular o Capital Circulante Líquido é necessário o ativo circulante e o passivo circulante. As duas figuras a seguir apresentam esta informação.



O Capital Circulante Líquido seria igual a R$1,395 ou R$4 000 285 – R$ 2 605 409.

A taxa de queima para o final de 2011 é dada por:

Taxa de Queima = 1 394 876 / 1046 373 = 1,33 anos

Ou seja, mantendo esta geração negativa do fluxo de caixa, a empresa irá suportar 1,33 anos com o CCL positivo. No final de 2010 a taxa de queira era de:

Taxa de Queima  = 2 428 884 / 960 127 = 2,53 anos

Em um ano a taxa de queima reduziu em 1,19 em razão do fluxo das operações mais negativo.

Grau de utilidade – Regular. Seu uso está restrito a situações onde o fluxo das operações é negativo e o CCL é positivo. Entretanto, nestas situações, a taxa de queima pode ser um índice relevante.
Controvérsia de Medida – Não existe controvérsia. No livro de Administração do Capital de Giro, de Assaf Neto e Silva, este índice é apresentado de maneira invertida.


Observações Adicionais
a) A taxa de queima é um sinalizador para as empresas em dificuldades. Outros parâmetros devem ser levados em consideração na análise, antes de uma conclusão mais incisiva.
b) Uma empresa pode sobreviver no curto e médio prazo com um fluxo negativo nas operações e um CCL menor de a unidade. Entretanto esta situação geralmente não persiste no longo prazo.
c) Neste índice, menores valores indicariam uma situação mais crítica da empresa. No exemplo apresentado, a situação em 31 de dezembro de 2011 era pior do que doze meses antes.
d) Persistindo um fluxo de caixa negativo, a tendência da empresa é ter uma taxa de queima cada vez menor, indicando que a situação da empresa é mais crítica.


Veja também
Prazo de Estocagem
Valor Adicionado sobre Receita
Margem Líquida
Giro do Ativo
P/L
RSPL
Endividamento Oneroso
Endividamento
Fluxo de Caixa Livre
Ebitda
Margem Operacional
NIG sobre Vendas
Valor do Empreendimento
Capitalização
Margem Bruta
ROI 
Liquidez Corrente

27.3.12

Fluxo sobre Lucro


Definição – Mostra quanto do lucro foi transformado em caixa das operações. Compara uma medida pelo regime de competência com o desempenho medido pelo regime de caixa

Fórmula – Fluxo/Lucro = (Fluxo de Caixa das Atividades Operacionais/Lucro Líquido) x 100

Sendo
Fluxo de Caixa das Atividades Operacionais = refere-se ao caixa gerado pela empresa derivado as atividades operacionais
Lucro Líquido = corresponde ao lucro líquido do período

Unidade de Medida – O índice está expresso em valores percentuais

Intervalo da medida – As possibilidades do intervalo do índice são diversas. Como também o numerador quanto o denominador pode ser positivos ou negativos, o índice pode, teoricamente, variar entre menos infinito e mais infinito. O mais comum é que o índice esteja próximo dos 100%.

Como calcular – Os valores da determinação deste índice podem ser encontrados na demonstração dos fluxos de caixa e na demonstração do resultado do exercício. Para as empresas que usam o fluxo indireto, basta a demonstração dos fluxos de caixa.

A figura a seguir mostra o extrato desta demonstração para a BRMalls , uma empresa que administra diversos shoppings no Brasil.

Em 2011 a empresa gerou um lucro de 471 milhões de reais, mas o fluxo de caixa foi de menos 56 milhões de reais. Assim, o índice fluxo sobre lucro é dado por:

Fluxo sobre Lucro = (-55 710 / 471 019) x 100 = - 11,83%

Isto indica que a empresa, apesar de gerar lucro no exercício, não consegue transformar este resultado em fluxo das operações. Observe que no exercício anterior, de 2010, o índice era de 11,48%, indicando que a quantidade de caixa gerada representava somente onze por cento do lucro gerado. Ou seja, nos dois últimos exercícios a empresa não conseguiu transformar o lucro em dinheiro.

Grau de utilidade – Elevado. No longo prazo este índice deve ser igual a unidade, já que o lucro tende a ser igual ao caixa. Assim, quando o índice é menor que 100% podemos ter uma sinalização da existência de gerenciamento dos accruals na contabilidade.

Controvérsia de Medida – Existe alguma controvérsia sobre a medida. Alguns autores usam o lucro operacional em lugar do lucro líquido. Além disto, em razão dos valores assumirem tanto valores positivos quanto negativos, o sinal do índice pode provocar confusão no analista.


Observações Adicionais
a) Como tanto o numerador quanto o denominador podem assumir valores positivos e negativos o resultado do índice pode ser enganoso. Assim, se ambos são negativos, o resultado é positivo. O importante é comparar o valor do fluxo com o valor do lucro. Podemos estabelecer a seguinte regra: a1) ambos positivos – o valor deve ser próximo de 100%; b) ambos sendo negativos – o valor deve estar próximo de 100%; c) um deles negativo e outro positivo – o valor deve estar próximo de zero e os valores do lucro e do fluxo não devem ser expressivos.
b) Este índice pode variar quando a empresa está em fase de crescimento. Neste caso, o aumento da depreciação irá influenciar no lucro, mas não no fluxo operacional.
c) Para as empresas que consideram que a despesa financeira é um item decorrente da atividade de financiamento, o mais adequado é usar o lucro operacional.

26.3.12

Prazo de Estocagem


Definição – quantos dias o estoque fica na empresa. Mostra o tempo, em dias, que a empresa leva para vender seus estoques.
Fórmula – Prazo de Estocagem = (Estoque médio / Custo da Mercadoria Vendida) x 360
Sendo
Estoque Médio = corresponde a média do estoque inicial mais estoque final, dividido por dois.
Custo da Mercadoria Vendida = refere-se ao valor das mercadorias que foram vendidas pela empresa no período

Unidade de Medida – O valor está expresso em dias.


Intervalo da medida – O índice varia entre zero a infinito. Maiores valores indicam que os estoques duram mais nas prateleiras da empresa. Normalmente o valor máximo não deve ultrapassar a um ano.

Como calcular – As informações estão disponíveis na demonstração do resultado e nos balanços patrimoniais.

Vamos usar o exemplo da Magazine Luíza, uma empresa de comércio varejista. A figura a seguir mostra o balanço patrimonial da empresa:

A média dos estoques é dado por:
Estoque médio = (1264 657 + 849 799) / 2 = 1 057 228

O custo da mercadoria vendido é obtido na demonstração do resultado da empresa:

Observe na figura que está incluso na linha de custo também captações para operações financeiras. A empresa detalha a parte referente a mercadoria vendida em notas explicativas.

Assim, o Custo da Mercadoria Vendida que deve ser usado corresponde a R$4 163 438 mil reais. Com estes valores podemos calcular o prazo de estocagem:

Prazo de Estocagem = (1 057 228 / 4 163 438 ) x 360 = 91 dias

Ou seja, o estoque permanece na empresa por 91 dias.

Grau de utilidade – Elevado. O índice é muito importante para empresas comerciais e industriais, mas pouco expressivo para empresas prestadoras de serviços.  Entretanto, para fins de política econômica, o índice pode sinalizar o comportamento da economia. Geralmente em situações de recessão, as empresas tendem a acumular um grande volume de estoques num primeiro instante, o que aumenta o prazo de estocagem. Em momentos de saída da recessão, as indústrias de produção de insumos tendem a aumentar o volume de estocagem.

Controvérsia de Medida – Nenhuma.

Observações Adicionais
a) O prazo de estocagem pode ser influenciado por variações sazonais. No caso da empresa analisada, a mesma promove uma grande liquidação em janeiro. Isto justificar o prazo aparentemente elevado encontrado no índice.
b) O prazo de estocagem pode ser influenciado por variações de longo prazo. A criação de um canal de distribuição mais eficiente, aliado a melhoria na logística no país, pode indicar uma redução no prazo de estocagem.
c) Em períodos inflacionários, o estoque pode ser usado como uma forma de redução das perdas com inflação. Isto tende a aumentar o prazo de estocagem, já que as empresas compram mercadorias para se protegerem da inflação.
d) De uma maneira geral, comércios são mais eficientes quando possuem prazos reduzidos de estocagem. Entretanto, esta redução pode ter como consequência uma perda de clientes, em razão do aumento no número de mercadorias não repostas, que leva a perda de vendas.
e) O prazo de estocagem pode ser influenciado pelo setor de atuação. Isto é particularmente verdadeiro para indústrias, onde o processo produtivo impede reduções drásticas no nível de estocagem.


Veja também
Valor Adicionado sobre Receita
Margem Líquida
Giro do Ativo
P/L
RSPL
Endividamento Oneroso
Endividamento
Fluxo de Caixa Livre
Ebitda
Margem Operacional
NIG sobre Vendas
Valor do Empreendimento
Capitalização
Margem Bruta
ROI 
Liquidez Corrente


23.3.12

Valor Adicionado sobre Receitas


Definição – quanto da receita da empresa corresponde a valor que foi adicionado a economia. Representa a contribuição da empresa para economia.

Fórmula – Valor Adicionado sobre Receitas = (Valor Adicionado Produzido / Receita Líquida de Vendas) x 100

Sendo
Valor Adicionado Produzido = corresponde ao que a empresa adicionou, em termos econômicos, as vendas realizadas no período.
Receita Líquida de Vendas = refere-se às vendas de produtos e serviços, líquida de impostos sobre vendas, abatimentos e devoluções. Inclui também as receitas relativa a construção de ativos próprios.

Unidade de Medida – O valor está expresso em percentual.

Intervalo da medida – O índice varia entre zero a 100%. Quando mais próximo do cem por cento, maior a agregação de valor da empresa para economia.

Como calcular – As informações estão disponíveis na demonstração do valor adicionado.

A seguir encontra-se a DVA da empresa MPX Energia. No ano de 2011 a empresa gerou um valor adicionado de 943 milhões de reais para uma receita de 1203 milhões.

Assim, o índice é dado por:

Valor Adicionado sobre Receita = (942 949 / 1 202 709) x 100 = 78,4 %

Ou seja, a empresa adicionou 78,4% para a economia.

Grau de utilidade – Regular. A demonstração do valor adicionado não é muito usada em outros países. Assim, isto impede uma comparação internacional. Além disto, é uma inovação recente da legislação brasileira, o que significa dizer que não existe uma tradição de análise desta informação.

Controvérsia de Medida – Para os teóricos do livre mercado, o importante é a empresa gerar lucro. Entretanto, em razão do exposto anteriormente, não existe uma efetiva controvérsia neste índice em razão do grau de utilidade.

Observações Adicionais
a) Observe que usamos a receita da DVA. Este valor é diferente da receita obtida na demonstração do resultado em razão da inclusão de receita na produção de ativos próprios. Para a MPX, a receita da DRE foi de 168 milhões de reais, bem inferior a receita usada no cálculo.
b) É importante também observar a destinação do valor que foi agregado pela empresa.
c) Uma empresa industrial deverá apresentar um índice mais elevado do que uma empresa comercial em razão das características do setor de atuação.
d) Para a economia de um país é importante o valor adicionado. Assim, quanto mais uma empresa gerar de valor adicionado, mais isto terá consequências em termos do PIB. Por este motivo, é interessante acompanhar a evolução no tempo deste índice. No exemplo da empresa MPX, no ano de 2010 ela gerou R$1657 milhões de valor adicionado para uma receita de 1734 milhões de reais. Ou seja, o índice foi de 95,5%. Assim, em relação a 2010, o valor do ano de 2011 mostra menos valor adicionado.
e) Empresas em fases pré-operacionais tendem a gerar mais valor adicionado que empresas que estão em operação.


Veja também
Margem Líquida
Giro do Ativo
P/L
RSPL
Endividamento Oneroso
Endividamento
Fluxo de Caixa Livre
Ebitda
Margem Operacional
NIG sobre Vendas
Valor do Empreendimento
Capitalização
Margem Bruta
ROI 
Liquidez Corrente