8.2.12

Futebol, Valor e Eficiência

Somos apaixonados por futebol. Um trabalho recente analisou a eficiência dos grandes clubes do futebol mundial. Ou seja, dos clubes europeus. Usando os dados públicos destes clubes, além das estimativas de valor da Deloitte, os autores verificaram a questão financeira e o aspecto esportivo.

Marke Dantas, uma aluna de graduação da UFRN, e Diogo Boente, professor da mesma instituição, usaram a Análise Envoltória de Dados para  vinte clubes. Na temporada analisada, de 2008/2009, eles que o Manchester United, o Arsenal, o Tottenham, o Hamburgo e o Werder Bremen foram eficientes na arrecadação dos jogos. O resultado é muito influenciado pela discussão dos direitos de transmissão dos times de cada liga; por exemplo, os times italianos tiveram um resultado ruim neste quesito.

Para a receita de transmissão, os clubes mais eficientes foram Real Madrid, Barcelona, Juventus e Werder Bremen. Os dois primeiros possuem contratos à parte no campeonato espanhol e talvez isto explique este resultado. No quesito de receitas comerciais, os clubes alemães foram mais eficientes (Bayern de Munique, Werder Bremen e Borussia).

No aspecto esportivo, o Manchester e o Werder foram considerados os mais eficientes.

Particularmente fiquei curioso em saber se existe uma relação de desempenho esportivo e folha salarial. Segundo o excelente livro Soccernomics isto é uma realidade na Inglaterra. Seria um tema interessante para pesquisa futura. Assim como seria interessante uma investigação para o resultado do Lion, que é considerado pelo Soccernomics como um exemplo de desempenho.

Como um desafio adicional, é interessante notar que a correlação entre despesa e valor é de 0,691, altamente significante em termos estatísticos. Ou seja, clube que possui muito valor geralmente tem muita despesa. Ou será que clube com mais despesas possui mais valor? (Parece muito com a questão do ovo ou da galinha)

Para ler mais: A EFICIÊNCIA FINANCEIRA E ESPORTIVA DOS MAIORES CLUBES DE
FUTEBOL EUROPEUS UTILIZANDO A ANÁLISE ENVOLTÓRIA DE DADOS, Revista de Contabilidade e Organizações, vol. 5 n. 13 (2011) p. 75-90

6.2.12

Qual o valor do Facebook?

A emissão de ações por parte da empresa Facebook gerou uma discussão interessante sobre o real valor desta empresa. Esta postagem irá concentrar em dois textos recentes.

O primeiro foi publicado no Wall Street Journal e associa o investimento no Facebook ao paradoxo de São Petersburgo. Este paradoxo consiste num jogo, denominado de Loteria de São Petersburgo, e foi proposto por Nicolas Bernoulli.

O jogo é o seguinte: dois apostadores, Marcos e Lucas, jogam um “cara ou coroa” com as seguintes regras: a) se sair cara, o jogo acaba; b) se cara sair na primeira jogada, Marcos irá pagar duas moedas; caso só saia na segunda jogada (após uma cora na primeira), Marcos paga quatro moedas; se cara sair na terceira rodada, Marcos irá pagar oito moedas. A segunda regra do jogo pode ser resumida da seguinte forma: se a primeira cara sair na jogada “n”, Lucas irá receber dois elevado a “n” de moedas. (Antes de prosseguir uma observação: existem diferentes versões para o paradoxo; estamos usando aqui a versão mais interessante em termos do assunto que estamos tratando.)

A questão é: quanto você pagaria para ter o privilégio de jogar a Loteria de São Petersburgo? A solução do paradoxo é feita através do valor esperado. Existe 50% de chance de sair coroa no primeiro lançamento e ganhar duas moedas; as chances de saírem duas coroas seguidas é de ¼; três coroas é de 1/8 e assim por diante. Pode-se calcular o valor esperado dos ganhos da seguinte forma:

Valor Esperado = (1/2) x 2 + (1/4) x 4 + (1/8) x 8 + ...

Isto é matemática do ensino médio e o valor obtido é infinito. Ou seja, em situações de recursos ilimitados e tentativas ilimitadas, o valor que Lucas poderia pagar para entrar no jogo seria infinito. Este resultado é surpreendente e pesquisas práticas mostram que dificilmente uma pessoa pagaria mais do que 25 moedas para entrar neste jogo.

Em Facebook and the St. Petersburg Paradox, Jason Zweig sugere que uma ação como a do Facebook parece com a loteria de São Petersburgo. Se esta suposição estiver correta, o valor justo da ação seria infinito. Um correto diria: compre.

Entretanto, é difícil acreditar nisto. Atualmente o Facebook possui 845 milhões de pessoas como usuários, segundo informa Zweig. Acreditar na aplicabilidade do paradoxo neste caso seria confiar que este número continuaria a aumentar. Mas provavelmente teremos aqui uma limitação, condicionada pelo número de pessoas e empresas existentes no nosso planeta. Assim, apesar da ideia ser tentadora, é difícil de acreditar que teríamos uma situação como esta.

Uma análise mais tradicional é realizada por Henry Blodget em Well, Now We Know what Facebook´s worth – and it´s not $100 billion. Usando a receita de 4 bilhões e o lucro de quase 1 bilhão, Blodget calcula o valor da empresa usando múltiplos. E o valor encontrado é bem inferior aos 100 bilhões que alguns estão estimando.

Com um lucro de 1 bilhão pode-se calcular o valor do Facebook usando o índice Preço/Lucro. Este índice mostra a relação entre o lucro por ação e o preço da ação no mercado. Corresponde ao número de anos que o investidor deve esperar para receber de volta o total investido na empresa. Mas o P/L, como é conhecido, também pode ser usado para estimar o valor da empresa. Aqui usamos os valores já conhecidos de empresas que já estão no mercado. Por exemplo, a Google tem um P/L de 20 vezes. Se o Facebook atingir este valor isto significa dizer que seu preço no mercado seria de 20 bilhões. A Apple possui um P/L de 13; usando isto como parâmetro, o valor do Facebook seria de 13 bilhões. O problema de usar estes dois parâmetros é que o Facebook está crescendo mais rápido que estas duas empresas. Mas se usarmos um P/L de 50, o Facebook estaria avaliado em 50 bilhões.

Um problema do P/L é exatamente o fato de que a empresa está em crescimento rápido. Assim, o lucro de 1 bilhão reflete a realidade de 2011, não de 2012. Talvez os investidores considere mais plausível que o valor seja o lucro mais recente. Usando um lucro estimado para este ano de 2 bilhões e um P/L de 20, o valor do Facebook seria 40 bilhões.

Outra possibilidade é usar a receita como parâmetro. A Apple possui um valor de mercado de três vezes sua receita; o Google seria de cinco vezes; e o LinkedIn corresponde a 16 vezes. Se considerar um múltiplo da receita de 10 vezes para o Facebook, isto significa que o valor da empresa seria de 40 bilhões.

Observe que em todos os casos, dificilmente é possível encontrar um valor de $100 bilhões para o Facebook. Mas nada impede que o mercado precifique as ações desta empresa por este valor. Como sabemos, o mercado é muitas vezes irracional e geralmente o preço inicial de uma oferta de ações é superestimado. A conferir.

30.1.12

Mercado e Pesquisa na Internet

As pesquisas que as pessoas fazem na internet podem ser uma interessante e útil informação sobre o comportamento do mercado. Se analisarmos o número de vezes que as pessoas pesquisaram Facebook no Brasil isto irá mostrar o interesse crescente por este produto. Recentemente um artigo publicado no prestigioso Journal of Finance mostrou que a quantidade de pesquisa por uma empresa estava relacionada com o interesse dos investidores. E que este aumento de pesquisa pode anteceder o aumento nos preços em duas semanas. No Estado de S Paulo de ontem (aqui e aqui)informava que a empresa de blog Tumblr estava impressionada com o interesse do brasileiro pelo produto. Pesquisando no Google Trends é possível perceber que o Brasil é a segunda região com maior interesse no assunto, que cinco das dez cidades onde mais se pesquisam são brasileiras e que a língua portuguesa é a segunda em preferência.

O gráfico abaixo mostra o resultado referente a pesquisa da palavra “Euro Crisis”. Observe que o público mostrou muito interesse sobre o assunto no final do ano passado, mas que depois o número de pesquisas reduz.
No mesmo periodo, o comportamento do título italiano foi o seguinte:
Os dois gráficos apresentam uma visão muito próxima. O mais interessante é onde esta pesquisa está sendo feita. O Google fornece, além da série histórica de pesquisas, os locais de onde partiram esta pesquisa. Para a palavra Euro Crisis o resultado é o seguinte:
Cingapura é o país de onde partiram o maior número de interessados sobre o assunto. Depois Irlanda, um país europeu que sofre as consequências da crise, a Índia, a Holanda e o Reino Unido. A presença da Holanda e Reino Unido entre os primeiros são razoáveis. Mas Cingapura e Índia são realmente estranhos. Qual a razão disto? Uma possível resposta pode estar nos dois gráficos abaixo. O primeiro é o comportamento da bolsa de Cingapura e o segundo da Índia.
Os dois mercados apresentaram uma queda em dezembro, justamente o período onde a palavra “Euro Crisis” foi mais pesquisada. Isto talvez seja um sinal de que os investidores destes dois países perceberam a existência de um contágio no mercado em razão da crise do Euro. No mesmo periodo o mercado dos Estados Unidos agiu de maneira normal. Observe novamente que as pesquisas sobre a crise do Euro colocam os Estados Unidos em nono lugar. Ou seja, sem contágio com a crise do Euro. Isto mostra que as pesquisas realizadas no Google podem apontar realmente o interesse das pessoas sobre um determinado assunto. Mais, indicam interesses de grupos específicos (um país, por exemplo).

Leia mais em Google Insights for Search and the contagion effect

17.1.12

Princípios de Avaliação

Tim Koller, Richard Dobbs e Bill Huyett lançaram um livro recente onde anunciam os quatro princípios das Finanças Corporativas. Koller é conhecido pelo livro de Avaliação de Empresas, da McKinsey, cujas primeiras edições possuíam também a coautoria de Copeland.

O primeiro é o núcleo de valor: as empresas criam valor investindo os recursos os investidores para gerar um fluxo de caixa com uma taxa de retorno que seja superior ao custo do capital.

O segundo é um corolário do primeiro e recebe a denominação de conservação do valor. O valor é criado para os acionistas quando as empresas geram um fluxo de caixa mais elevado, não reagrupando a estrutura de capital destes fluxos de caixa. Observe que este princípio é uma consequência da proposição clássica de Modigliani e Miller sobre a influência da estrutura de capital no valor da empresa.

O terceiro princípio é o da alteração das expectativas. O preço de uma ação no mercado muda em razão das alterações das expectativas do mercado.

O quarto princípio é o do melhor dono. O valor de uma empresa depende da forma como ela é administrada. Isto significa que a mudança gerencial numa empresa pode gerar fluxos de caixa diferentes.

Os autores trabalham na parte um do livro, que recebe a denominação de Value: The Four Cornerstones of Corporate Finance (Valor: Os quatro pilares de das Finanças Corporativas). Isto corresponde a cerca de 60 páginas, de um total de 250. E o restante? Blá, blá e blá.

Na parte dois, quatro capítulos sobre mercado acionário; na parte três, sete capítulos sobre a criação de valor.

Neste sentido, a obra parece com o livro de Koller, Avaliação de Empresas. Muita conversa com alguns gráficos e tabelas interessantes (mas que a parte metodológica não é detalhada), muita afirmação baseada em pesquisas realizada pela McKinsey.

Vale a pena? Não.

15.1.12

Liquidez e Controle em Empresas de Capital Fechado


Apesar da maioria das empresas serem de capital fechado, boa parte da literatura da área de avaliação dedica a maior parte do seu foco para as empresas com ações negociadas na bolsa de valores.

Avaliar uma empresa de capital fechado possui dois aspectos relevantes: a questão do controle e da liquidez.

O primeiro aspecto refere-se ao fato de que algumas empresas negociam parte do seu capital, mas não o controle. Este fica nas mãos do acionista principal, que pode tomar decisões que reduzem o fluxo de caixa dos minoritários. Assim, ao comprar ações minoritárias é necessário acrescentar um prêmio pelo controle no custo do capital. E isto reduz o valor das ações.

A liquidez corresponde à dificuldade de encontrar um comprador para as ações das empresas de capital fechado. As pesquisas realizadas no exterior mostram que o desconto por liquidez varia entre 7% até 40%. O intervalo elevado para este percentual mostra a dificuldade de encontrar um consenso para o tema.

O livro Principles of Private Firm Valuation,  de Stanley Feldman (Wiley, 2005) possui dois capítulos sobre o assunto. Para o problema da liquidez Feldman considera que os problemas de liquidez são resultados da information signaling. Sem isto, o efeito puro da liquidez para as ações minoritárias seria de 17%.

Para o controle, Feldman sugere usar o modelo de opção para determinar a volatilidade do fluxo de caixa. Entretanto, considero que a proposta do autor é limitada para alguns casos somente e não resolve a questão do cálculo do custo do controle. No Brasil, onde temos este aspecto inclusive para as ações negociadas na bolsa, onde você compra o direito de ser acionista minoritário numa empresa com um forte acionista controlador, aprendemos a ignorar esta questão. Não seria o momento de refletir sobre o assunto?

14.1.12

IPO

O investimento em empresas pré-operacionais apresenta maior risco. O analista fundamentalista tem dificuldades para avaliá-las. A análise por múltiplos - P/L, FV/EBITDA - é deficiente, pois não há ainda resultados operacionais consistentes. A metodologia do fluxo de caixa descontado é mais completa, mas como a geração de caixa ocorrerá em anos futuros, as estimativas são menos confiáveis. Assim grande parte do valor justo se encontra na perpetuidade, o que indica o risco do investimento. O fracasso dos IPOs das companhias pré-operacionais - Valor Econômico - 12 jan 2012 - André Rocha A tese do autor é que as empresas pré-operacionais pularam uma etapa: o financiamento através dos fundos de participação. Pode ser. Mas o relevante é a obtenção de recursos de maneira mais barata. Uma ressalva: o fato do fluxo ocorrer no futuro não significa que o "valor justo se encontra na perpetuidade". (Fonte da imagem, aqui)

26.12.11

Efeito de medida contra a crise

É interessante observar o comportamento dos agentes econômicos diante das medidas contra a crise. Muitas vezes os reguladores "esquecem" disto. Para evitar o agravamento da crise, os bancos europeus foram forçados a aumentar seu capital. O Banco Santander da Espanha informou necessitar de quase 7 bilhões de dólares para cumprir a normas de capital. Diante desta medida, algumas alternativas possíveis e seus efeitos sobre estas instituições: a) lançamento de ações no mercado - a captação de recursos no mercado acionário seria uma alternativa interessante em tempos normais. Entretanto, neste exato momento as ações dos bancos estão em baixa. Lançar ações agora significa aumentar muito o número de ações, sem um grande volume de recursos. Geralmente as empresas lançam ações quando o mercado está em alta, para aproveitar os momentos de euforia. Isto significa dizer que esta não é uma opção razoável para o momento; b) vender os negócios não rentáveis - eis uma alternativa a princípio interessante. Exceto pela questão contábil. Os negócios não rentáveis provavelmente estão contabilizados nos bancos pelo valor de aquisição. A venda destas unidades de negócio será contabilizada pelo confronto entre o valor de aquisição e o valor de venda. Ou seja, será reconhecido um prejuízo nesta operação. Assim, apesar disto representar uma entrada de dinheiro na instituição financeira, o efeito sobre o resultado pode ser expressivo. c) vender os negócios rentáveis - nesta alternativa não se tem o efeito contábil; pelo contrário, a operação poderá reforçar o resultado imediato da instituição financeira. Entretanto, vende-se aquilo que é rentável e saudável. A primeira alternativa mantem o peso da instituição financeira. Nas duas seguintes, opta-se por reduzir o ativo, sem alterar muito a base de capital próprio. Nada impede que uma mistura das três opções seja adotada. Entretanto, o movimento recente dos bancos mostra que existe uma escolha por negociar as área rentáveis. Recentemente o Santander vendeu sua unidade na Colômbia e os negócios de seguros no Brasil, assim como o Deutsche Bank está pensando em vender uma unidade de gestão de ativos. Existe uma previsão de redução de 950 bilhões de euros nestas instituições nos próximos dois anos, sendo que dois terços será de unidades lucrativas. Para ler mais: Ao vender ativos, bancos europeus sacrificarão lucros - Anne-Sylvaine Chassany, Kevin Crowley e Charles Penty, Bloomberg - publicado no Valor Econômico de 19 de dezembro de 2011.

20.12.11

Unopar


Recentemente mostramos o uso de relativo no processo de avaliação de instituição de ensino. Em geral o valor de aquisição corresponde a um múltiplo do número de aluno. Nas operações anteriores, o valor do aluno variava de R$4,4 mil (o valor que a Estácio pagou aos antigos donos da FAA) até 9,3 mil (aquisição da Uniban pela Anhanguera).

Agora a notícia que a Kroton pagou R$1,3 bilhão por 162 mil alunos da Unopar. Isto significa dizer que cada aluno custou R$7,9 mil. Entretanto, o tal valor pode ter sido excessivo por dois motivos:

a) a maior parte dos alunos da Unopar são à distância. No ensino à distância os custos fixos são elevados, geralmente referindo ao custo de instalação dos polos e ao custo de criar uma disciplina. Isto faz com que a admissão de um aluno adicional gere uma margem de contribuição elevada, com reflexos no lucro. O problema é que o índice de abandono dos cursos a distância são elevados;

b) A Unopar teve sérios problemas com o MEC no que diz respeito a qualidade dos seus cursos. Em situações onde cursos estão sendo cancelados, o potencial de crescimento da área talvez não seja grande.

Talvez o grande motivador para a aquisição (e pelo valor elevado) seja a liderança do mercado. Uma instituição com um grande número de alunos pode “vendê-los” por um valor acima da média. Foi o que ocorreu com a Uniban, por exemplo.

14.12.11

Avaliação de Blogs


Aqui uma interessante postagem sobre avaliação de blogs dos Estados Unidos. Aplicou-se um método onde considera algumas variáveis que podem interferir no seu valor (os direcionadores de valor). Neste caso, o valor do blog refere-se ao preço potencial que pode ser obtido num processo de negociação.

Parece coisa pequena, mas é bom lembrar que recentemente o blog The Huffington Post foi adquirido pela AOL por 300 milhões.

As variáveis consideradas no processo de avaliação foram as seguintes:

a) Receita e lucro – um blog com elevado valor deve atrair receita de propaganda, por exemplo. Ou receita de produtos derivados (camisetas, assinaturas especiais etc). De qualquer forma, realmente a receita é uma variável fundamental no processo de valoração do blog. Além disto, é importante considerar que em alguns blogs o custo de operação pode ser elevado; nestes casos, a informação de lucro é mais importante;

b) Competição – existe competidor na mídia tradicional para o blog? Naturalmente que a existência de competição reduz o valor potencial do blog.

c) Risco do fundador – alguns blogs estão associados a fama do seu criador. O blog de Greg Mankiw está vinculado ao economista do mesmo nome. Isto reduz o valor, já que a aquisição de um blog como este poderá significar que seu criador irá se afastar, perdendo valor.

d) Tradição – apesar da atividade de blogar ser nova, alguns blogs já existem há mais de 15 anos. Em geral os blogs mais conhecidos são relativamente “velhos”.

e) Número de visitantes – consequência natural da receita e das outras variáveis.

Usando estes direcionadores, o WSJ determinou múltiplos de receita e, em alguns casos, do lucro operacional.
Eis a lista dos blogs mais valiosos:

1. Gawker = $318 milhões
2. Drudge = 93 milhões
3. PopSugar Media Network = 64 milhões
4. SBNation = 56 milhões
5. Macrumors = 52 milhões
6. Business Insider = 45 milhões
7. Seeking Alpha = 45 milhões
8. Cheezburger Network = 41 milhões

17.10.11

Google e Finanças

Uma pesquisa publicada no Journal of Finance mostrou que a busca no Google pode ser usada para medir a atenção dos investidores por uma ação. Mais ainda, este método é melhor e mais direto do que os tradicionais, como notícias ou despesa de publicidade.

Durante o período de 2004 a 2008 os autores mostraram que a quantidade de pesquisa no Google está relacionada com outras proxies de atenção dos investidores. Mais importante, um aumento na quantidade de pesquisa antecede em duas semanas um aumento no preço da ação. Aqui a relação causal funcionaria da seguinte forma: um investidor interessado numa determinada empresa usa o Google para saber notícias sobre a mesma.

Mais aqui

28.9.11

Kindle Fire

A tabela ilustra a diferença entre o Kindle Fire e o iPad 2 (adaptado daqui). Alguns analistas destacaram o preço e estão otimistas. Outros consideram que o tamanho da tela e a ausência de câmera são os pontos fracos. Provavelmente os outros fabricantes deverão reduzir o preço.



A comparação em termos financeiros foi feita aqui, usando o índice P/L. Enquanto a Amazon tem um índice de 72, a Apple, uma das maiores empresas em valor de mercado, possui um P/L de 12. E nos últimos anos, enquanto a Amazon tem apresentado valorização crescente, o comportamento da Apple é mais errático.

27.9.11

Risco País

Os gráficos mostram os defaults de títulos externos ao longo do tempo. O primeiro gráfico cobre o período de 1820 a1920. Neste período percebe-se o default do Brasil nos idos de 1820, no final do século XIX, no início do século XX e durante a primeira guerra. É interessante notar a presença significativa dos países da América Latina: 55 defaults de um total de 76 ou 72%. Observe também a presença de Portugal (3 vezes) e Espanha (3 vezes). 
O segundo período vai de 1920 a 1980. O Brasil aparece após 1930 (duas vezes). Os países da América Latina aparecem 29 vezes e novos “caloteiros” surgem. 

O último gráfico trata do período de 1981 a 2003. O Brasil aparece na década de oitenta (governo Sarney), mas um grande número de países também decreta default, de diversas partes do mundo. Neste período, a Argentina usa este artifício três vezes. 

Durante este período, o nosso país decretou default sete vezes. Isto não é motivo para orgulho, já que o default constante tende a traduzir num aumento nos juros cobrados externamente.  
Fonte: aqui

Groupon

o Groupon também apresentou os números revisados de sua contabilidade. Da última vez que a empresa informou o relatório, eles alegaram ter US$ 1,5 bilhões em receitas para o primeiro semestre de 2011. Agora, com os relatórios atualizados, a informação é que a receita está em US$ 688 milhões, para o mesmo período. (Fonte: aqui)


Em empresa de tecnologia é muito comum erros na contabilização do total da receita. Estas empresas geralmente não geram lucro ou fluxo de caixa no início do seu ciclo de vida. A receita torna-se a base da avaliação, também sendo usada para determinar a participação no mercado.

26.9.11

Relativo na Educação

Comentamos, em postagem anterior, o fato da Kroton ter pago R$5,4 mil por aluno numa faculdade no Mato Grosso. Enquanto isto, a Anhanguera pagou mais pelos alunos da Uniban. A figura a seguir mostra um quadro mais consolidado da questão:
Aqui estão algumas das últimas aquisições realizadas no setor. A mais antiga, de outubro de 2010, também é aquela cujo valor por aluno pago é o menor. O valor da Uniban supera de longe as outras transações ocorridas no setor: R$9,3 mil por aluno.

Existem duas possíveis explicações para o valor elevado pago para adquirir a Uniban: primeiro lugar, a localização, pois a Uniban está localizada no mercado consumidor mais rico do país; segundo lugar, o fato de que esta instituição é uma universidade, que traduz em alguns benefícios em relação ao Ministério da Educação. Outro fator que pode ter sido relevante, mas que é difícil de visualizar, são os cursos oferecidos: alguns exigem pouco investimento e possuem um retorno elevado. Mas talvez exista outra explicação: o número de aluno da Uniban (55 mil) representa um aumento expressivo na participação do mercado.

22.9.11

Marcas e Lealdade

As 20 marcas com maior lealdade dos clientes

20. Twitter
19. LG (Celular) (38)
18. L´oreal (tintura) (31)
17. Ketel One (14)
16. Google (11)
15. Grey Goose (4)
14. Maybelline (16)
13. Walmart (3)
12. Dunkin Donuts (14)
11. Crest Whitestrips
10. Mary Kay (20)
9. Patron
8. Kindle
7. Hyundai (6)
6. Zappos
5. Apple (Mac) (5)
4. Samsung (Celular) (2)
3. Facebook
2. Apple (iPhone) (1)
1. Amazon (7)

Fonte: aqui (Entre parênteses, posição em 2010).

A pesquisa foi realizada pela empresa Brand Keys, com mais de 500 marcas, e combina análise psicológica e estatística dos clientes.

21.9.11

Kroton

A Kroton Educacional fechou a compra da Faculdade de Sorriso (FAIS), que tem operação no município de Sorriso, no Mato Grosso, em um negócio de R$ 7 milhões.


A operação foi realizada por meio da Editora e Distribuidora Educacional, subsidiária da Kroton, junto à sociedade mantenedora da FAIS, a União Sorrisense de Educação (USE).


A Kroton pagará um total de R$ 5,4 milhões ao longo de 60 meses e assumirá uma dívida líquida de R$ 1,6 milhão da USE, que conta com 1.302 alunos e 1.400 vagas anuais.


De acordo com a empresa, a compra está sujeita a eventuais ajustes e compensações em função de passivos da USE.


"A aquisição fortalece a presença da companhia no Mato Grosso, estado onde operam 10 unidades de ensino superior, sendo a mais próxima a unidade de Sinop, com distância aproximada de 80 quilômetros do município de Sorriso", diz o comunicado da Kroton.


(Fonte: aqui)

Isto significa que o valor da empresa foi de 5,4 mil reais por aluno. Isto é bem abaixo dos 7 mil pagos pela Anhanguera. Entretanto, o mercado é um pouco diferente (Sorriso versus estado de São Paulo) e isto pode ter refletido no preço.

Espanha e Portugal

Um trecho do Financial Times sobre as empresas espanholas (publicado no Marginal Revolution) mostra que a Espanha está a perigo.

As empresas portuguesas não financeiras apresentam uma dívida que corresponde a 16 vezes o lucro antes de juros. Isto significa que uma taxa de juros de 6,25% faz desaparecer todo o lucro (isto é, 1/16 = 0,0625).

Já as empresas espanholas possuem uma relação de 12 vezes. Ou seja, a uma taxa de juros acima de 8,3% consome todo o lucro, não sobrando nenhum dinheiro para o acionista.

O texto considera que uma relação de 10 vezes o padrão máximo. O texto compara a Espanha com o Japão de 1996 a 2002, quando a economia ficou sem crescimento. Ou seja, tempos difíceis para a Espanha e Portugal.

(Imagem: aqui)

Valor de empresas da web

O diretor-presidente da LinkedIn Corp., Jeff Weiner, espera que o mais recente boom da tecnologia não acabe sendo uma bolha prestes a estourar.


A LinkedIn — uma rede social para profissionais — , foi uma das primeiras da nova safra de empresas de internet a abrir o capital este ano. Sua cotação mais que dobrou em seu primeiro dia de negociação em maio na Bolsa de Nova York, alimentando expectativas favoráveis para uma série de aberturas de capital programadas por outras empresas de Internet.


Mas a ascensão da ação da LinkedIn e o valor de mercado de quase US$ 8 bilhões da empresa gera dúvidas sobre se o disparo das cotações de firmas de internet poderá se sustentar. A LinkedIn divulgou recentemente lucro de US$ 4,5 milhões no segundo trimestre, um aumento de 5,1% frente ao mesmo período do ano anterior, com uma receita de US$ 121 milhões, mais que o dobro de um ano atrás.


O site homônimo, onde as pessoas podem publicar seus currículos e trocar mensagens e contatos de negócios com colegas e recrutadores, tem 120 milhões de membros.


Em uma entrevista na sede da companhia em Mountain View, Califórnia, Weiner, um ex-executivo da Yahoo Inc. de 41 anos que assumiu as rédeas da LinkedIn em 2009, falou sobre como a abertura de capital vai afetar a empresa e se há outra bolha de tecnologia sendo formada.


Trechos editados:


WSJ: Como a abertura de capital foi afetada pelo fato de ser a maior do setor de internet este ano?


Weiner: Quando nossa ação realmente começou a ser negociada, a quantidade de atenção e energia que foi dedicada à cobertura do evento definitivamente foi uma surpresa que elevou o perfil da empresa a outro nível.


WSJ: Como o sr. mantém seus empregados focados no produto e não na cotação das ações?


Weiner: Vários anos atrás, eu estava lendo um artigo sobre [a equipe de basquetebol da liga universitária americana] Duke Blue Devils que mencionava que cada vez que o time do técnico [Mike Krzyzewski] vai e volta na quadra, não importa o sucesso ou fracasso da jogada, ele diz as mesmas duas palavras: "next play" [próxima jogada]. Ele não quer que sua equipe gaste muito tempo comemorando algo que deu certo ou lamentando algo que saiu errado.


WSJ: Empresas como Facebook afirmam que não estão com pressa de abrir o capital. Há desvantagens em esperar?


Weiner: Uma das razões por que houve uma mudança em termos de falta de urgência de abrir o capital em comparação a, digamos, dez anos atrás, é que agora você tem empresas de private equity endinheiradas que podem fornecer a liquidez necessária. Acho que o desafio ao longo do tempo é que não dá, necessariamente, para criar o tipo certo de liquidez sistêmica. O que vemos no Vale do Silício é uma série de empresas instaurando políticas que limitam o período de tempo em que seus funcionários podem negociar as ações no mercado secundário [para ações de empresas de capital fechado]. Como resultado, entre isso e a falta de fluxo de informações que normalmente ocorreria em uma empresa de capital aberto, não há uma avaliação eficiente.


WSJ: A valorização da LinkedIn é justificada?


Weiner: Não estamos focados no preço da ação ou no valor de mercado em nenhum dia ou semana determinados, nem mesmo de trimestre a trimestre. Temos um plano de longo prazo que vai se desdobrar durante muitos anos.


WSJ: Mas o sr. diz que existem algumas avaliações de valor de mercado que não são eficientes. Estamos em uma bolha?


Weiner: Acho que é importante fazer uma distinção entre o desempenho de líderes em determinadas categorias hoje contra algumas das empresas que estavam abrindo o capital na fase final do auge da bolha de internet no fim dos anos 90.


Considere empresas como Facebook, Zynga e Groupon. Essas firmas estão construindo negócios reais duradouros e isso está confirmado pelo sucesso que alcançaram até o momento. Quando as empresas não são rentáveis, você vai ouvir que elas estão reinvestindo em sua plataforma.


WSJ: O sr. está dizendo que há um crescimento real, que existem modelos de negócio reais. Isso não significa necessariamente que as avaliações sejam justificadas.


Weiner: Vamos deixar que o mercado determine o valor da empresa. Mas eu sei que as empresas hoje estão muito focadas em explorar ao máximo seu potencial, o que é bastante significativo. Isso ocorre em parte porque agora temos infraestrutura que conecta centenas de milhões de pessoas em todo o mundo em milésimos de segundo, o que nunca existiu antes.


Mais importante ainda são as mudanças comportamentais que ocorrem como resultado dessa infraestrutura, a forma como as pessoas representam a sua identidade, a maneira em que estão se conectando com outras pessoas, e a forma como compartilham informações, conhecimentos, opiniões, idéias , tudo.


WSJ: Que conselho o sr. daria a outras empresas que buscam abrir seu capital?


Weiner: Um monte de empresas que hoje estão na trajetória de abrir o capital experimentará hipercrescimento. Reformulando um pouco a pergunta, que conselho eu daria para as empresas com hipercrescimento?


Um velho amigo uma vez descreveu essa situação assim: Quando você lança um foguete no espaço, se a trajetória de lançamento dele estiver errada alguns centímetros, ele acabará vários quilômetros longe do alvo.

Qual o real valor de empresas da web? - Wall Street Journal -  SHAYNDI RAICE - Publicado no Valor Econômico - 21 set 2011

18.9.11

Anhanguera

A Anhanguera Educacional fechou na sexta-feira (16) a compra do Grupo Uniban por R$ 510 milhões. (...)
Dos R$ 510 milhões colocados na compra, R$ 128 milhões se referem à compra de três imóveis operacionais do grupo.


O Grupo Uniban tem 55 mil alunos matriculados, de acordo com dados de março, e 13 campus no país -nove na Grande SP, dois em Cascavel (PR) e um em São José (SC).


(...) Este ano, a Anhanguera já tinha anunciado a compra de outros dois grupos. O mais recente, em abril, foi a FIT (Faculdades Integradas Torricelli), por R$ 39 milhões. A empresa tem 6.480 alunos de ensino superior no seu campus, em Guarulhos.


A outra compra tinha sido menos de um mês antes --a Faculdade Anchieta e a Faculdade de Tecnologia Anchieta, em São Bernardo do Campo, por R$ 75 milhões. (Anhanguera anuncia compra da Uniban por R$ 510 milhões, Folha de S Paulo, 18 de set 2011

Considerando o preço total pago, incluindo os imóveis, o montante médio pago foi de 9,3 mil reais por aluno. Retirando os imóveis, 6,95 mil reais por aluno. Este valor é um pouco superior ao pago pela FIT, que custou 6 mil reais por aluno.

Na base de 7 mil reais por aluno, o grupo Anhanguera vale hoje 2 bilhões de reais já que possui 292 mil alunos.

16.9.11

Não é bem assim

Ao Valor, Batista disse que vai melhorar o giro de estoque e o fluxo de contas a pagar e a receber da companhia. "Podemos fazer o mesmo carregando menos estoque, o que logicamente traz dinheiro para dentro do balanço e reduz o endividamento". (Castigada pelo investidor, JBS faz ajustes na operação - Valor Econômico - 16 set 2011)

A melhoria no capital de giro da empresa pode realmente ajudar no fluxo de caixa. Mas isto só beneficia um exercício, correspondendo a um fluxo das atividade operacionais não sustentável a longo prazo (vide, Jerald Pinto et al in Equity Asset Valuation, 2a. ed.).

A explicação para isto é simples: no fluxo de caixa soma-se a variação do capital de giro. O ajuste realizado num período de tempo pode trazer influência no fluxo de caixa no momento que é feito o ajuste. Entretanto, ajustes na política de giro possuem influência somente no instante em que é feito. Depois disto, a variação no capital de giro será zero (ou próxima disto em termos proporcionais).