30.3.12

Cobertura de Investimento


Definição – este índice mostra quanto do investimento que a empresa realizou estaria coberto pelo seu caixa gerado nas operações. Corresponde a um índice de autofinanciamento.

Fórmula – Cobertura de Investimento = [Fluxo de Caixa das Operações / | Fluxo de Caixa de Investimento |] x 100

Sendo
Fluxo de Caixa das operações – corresponde ao fluxo de caixa gerado pela empresa nas atividades
Fluxo de Caixa de Investimento – refere-se ao fluxo gerado nas atividades de investimento ou caixa líquido usado nas atividades de investimento.

Unidade de Medida – Em percentagem. Representa quantos por cento a empresa foi autofinanciada.


Intervalo da medida – varia entre zero e infinito, já que o índice não é usado quando o fluxo das operações for negativo e o fluxo de investimento for positivo.

Como calcular – Os valores são obtidos na demonstração dos fluxos de caixa da empresa. É importante lembrar que este índice deve ser usado quando o fluxo das operações for positivo e o fluxo dos investimentos negativo.

Veja o exemplo da empresa Abyara (Brasil Brokers), referente ao fluxo consolidado, de 2011 e 2010, nesta ordem, em R$mil, na figura abaixo:

A cobertura de investimento é dado por:

Cobertura de Investimento em 2011 = 115 951 / |248 564| = 0,47 ou 47%.

Isto significa dizer que o caixa gerado nas atividades operacionais da empresa conseguiu cobrir 47% dos investimentos realizados. No ano anterior o valor era de:

Cobertura de investimento em 2010 = 61 932 / |20634| = 3,00

Indicando que o fluxo das operações foi mais do que necessário para pagar os investimentos.

Grau de utilidade – Regular. A necessidade que o fluxo das operações seja positivo e o fluxo dos investimentos seja negativo restringe seu uso. Além disto, a demonstração dos fluxos de caixa ainda está restrita a algumas empresas.

Controvérsia de Medida – Não.

Observações Adicionais
a) Quando uma empresa consegue um índice maior que a unidade, isto evitaria, a princípio, a necessidade de captação de recursos com acionistas ou capital de terceiros;
b) Empresas em fase de implantação terão valores reduzidos para este índice.
c) Valores elevados pode indicar que a empresa não consegue usar, em investimentos, o caixa gerado. Isto pode comprometer o crescimento futuro da empresa.

Esta é uma série de textos sobre os principais índices usados na análise das demonstrações contábeis.  Outros textos publicados foram: Prazo de Pagamento a Fornecedores,  Taxa de QueimaPrazo de EstocagemValor Adicionado sobre ReceitaMargem LíquidaGiro do AtivoP/LRSPLEndividamento OnerosoEndividamentoFluxo de Caixa LivreEbitdaMargem OperacionalNIG sobre VendasValor do EmpreendimentoCapitalizaçãoMargem BrutaROI e Liquidez Corrente

29.3.12

Prazo de Pagamento a Fornecedores


Definição – Indica o número de dias que a empresa leva para pagar seus fornecedores.

Fórmula – Prazo Médio de Pagamento aos Fornecedores = (Fornecedores Médio / Compras) x 360

Sendo
Fornecedores Médio – representa as dívidas com fornecedores. Pode ser circulante e não circulante. Em geral usa-se o valor inicial desta conta mais o valor final dividido por dois.
Compras – representa a média de compras do período. Em algumas empresas este é um valor difícil de obter, podendo ser substituído pelo custo dos produtos e serviços. Caso o valor seja trimestral, o índice será multiplicado por 90; sendo anual, por 360.

Unidade de Medida – Em dias. É possível calcular em meses ou ano. Se a demonstração for anual e os valores forem multiplicados por 12 teremos o resultado em meses. Se for anual e multiplicado por 1, o valor final estará em anos.

Intervalo da medida – Este índice só assume valores positivos. O usual é que o prazo de pagamento aos fornecedores esteja entre zero e 360 dias.

Como calcular – O valor de fornecedores é obtido no balanço patrimonial. Compras é possível calcular a partir da informação da demonstração do resultado. Este valor é difícil de ser obtido a partir das informações divulgadas pela empresa.

A figura a seguir corresponde ao balanço patrimonial da empresa Rossi, referente a 31 de dezembro de 2011.

Como é possível perceber, a empresa possuía na conta de Fornecedores de curto prazo, no valor de R$94 milhões de reais, no final do período. O valor médio é dado por:

Fornecedores Médio = (94 161 + 74 732) / 2 = 82 946,5

A figura abaixo apresenta a demonstração do resultado da empresa para o quarto trimestre de 2011.


O valor destacado refere-se ao custo de obras e terrenos da empresa, que para o último trimestre de 2011 foi de 615 milhões. Como não temos o valor das compras, usamos este item como uma aproximação.
Prazo de Pagamento aos fornecedores = (82 946,5 / 616 642) x 90 = 12,14 dias

Grau de utilidade – Elevado. Este índice é importante para saber quanto tempo a empresa está sendo financiada pelo principal passivo não oneroso, a conta de fornecedores.

Controvérsia de Medida – Alguma. Usamos no exemplo o custo, e não o valor das compras do período. No documento que acessamos não existia esta informação. Assim, o resultado obtido talvez não expresse o verdadeiro prazo de pagamento aos fornecedores.

Observações Adicionais
a) Quando o analista deseja fazer uma análise histórica e a quantidade de informações é reduzida, é comum usar somente o valor final de fornecedores. Assim evita-se perder uma informação da série histórica.
b) Valores reduzidos para o prazo pode indicar que a empresa não consegue obter prazo dos seus fornecedores para financiar seus ativos. Mas valores elevados pode indicar dificuldade em efetuar o pagamento aos fornecedores.
c) É sempre importante analisar as características do setor de atuação da empresa na análise.
d) Variações sazonais podem ajudar a explicar o comportamento deste índice para algumas empresas e setores. Em períodos que antecedem ao aumento das atividades as empresas tendem a aumentar o valor das suas compras, que interfere no prazo.

Esta é uma série de textos sobre os principais índices usados na análise das demonstrações contábeis.  Outros textos publicados foram: Taxa de QueimaPrazo de EstocagemValor Adicionado sobre Receita,
Margem LíquidaGiro do AtivoP/LRSPLEndividamento OnerosoEndividamentoFluxo de Caixa LivreEbitdaMargem OperacionalNIG sobre VendasValor do EmpreendimentoCapitalizaçãoMargem BrutaROI e Liquidez Corrente


28.3.12

Taxa de queima

Definição – Para as empresas que não estão gerando caixa com as atividades operacionais mostra quanto tempo o capital circulante líquido será consumido na empresa

Fórmula – Taxa de Queima = Capital Circulante Líquido /|Fluxo de Caixa das Operações|

Sendo
Capital Circulante Líquido = diz respeito a diferença entre o ativo circulante e o passivo circulante. Só é usado quando o CCL for positivo.
Fluxo de Caixa das Atividades Operacionais = corresponde ao caixa gerado pela empresa derivado as atividades operacionais. O índice é calculado quando este item é negativo. Assim, usamos o módulo do valor no índice.

Unidade de Medida – Em exercícios sociais. Se o fluxo for anual indica quantos anos, mantendo a empresa este desempenho, irá suportar seu CCL.

Intervalo da medida – O índice só pode ser usado para situações onde o denominador é negativo e o numerador é positivo. Como usamos módulo de fluxo de caixa, o intervalo estará entre zero a infinito.

Como calcular – Os valores são obtidos na demonstração dos fluxos de caixa e no balanço patrimonial.
Para exemplificar, considere o balanço da Marfrig, controladora. O fluxo de caixa das atividades operacionais é apresentado a seguir.
A empresa não tem gerado caixa nos dois últimos anos: R$1,05 bilhão e R$960 milhões, em 2011 e 2010. Isto significa que o fluxo de caixa é negativo, que corresponde a primeira condição para o uso do indicador.
Para calcular o Capital Circulante Líquido é necessário o ativo circulante e o passivo circulante. As duas figuras a seguir apresentam esta informação.



O Capital Circulante Líquido seria igual a R$1,395 ou R$4 000 285 – R$ 2 605 409.

A taxa de queima para o final de 2011 é dada por:

Taxa de Queima = 1 394 876 / 1046 373 = 1,33 anos

Ou seja, mantendo esta geração negativa do fluxo de caixa, a empresa irá suportar 1,33 anos com o CCL positivo. No final de 2010 a taxa de queira era de:

Taxa de Queima  = 2 428 884 / 960 127 = 2,53 anos

Em um ano a taxa de queima reduziu em 1,19 em razão do fluxo das operações mais negativo.

Grau de utilidade – Regular. Seu uso está restrito a situações onde o fluxo das operações é negativo e o CCL é positivo. Entretanto, nestas situações, a taxa de queima pode ser um índice relevante.
Controvérsia de Medida – Não existe controvérsia. No livro de Administração do Capital de Giro, de Assaf Neto e Silva, este índice é apresentado de maneira invertida.


Observações Adicionais
a) A taxa de queima é um sinalizador para as empresas em dificuldades. Outros parâmetros devem ser levados em consideração na análise, antes de uma conclusão mais incisiva.
b) Uma empresa pode sobreviver no curto e médio prazo com um fluxo negativo nas operações e um CCL menor de a unidade. Entretanto esta situação geralmente não persiste no longo prazo.
c) Neste índice, menores valores indicariam uma situação mais crítica da empresa. No exemplo apresentado, a situação em 31 de dezembro de 2011 era pior do que doze meses antes.
d) Persistindo um fluxo de caixa negativo, a tendência da empresa é ter uma taxa de queima cada vez menor, indicando que a situação da empresa é mais crítica.


Veja também
Prazo de Estocagem
Valor Adicionado sobre Receita
Margem Líquida
Giro do Ativo
P/L
RSPL
Endividamento Oneroso
Endividamento
Fluxo de Caixa Livre
Ebitda
Margem Operacional
NIG sobre Vendas
Valor do Empreendimento
Capitalização
Margem Bruta
ROI 
Liquidez Corrente

27.3.12

Fluxo sobre Lucro


Definição – Mostra quanto do lucro foi transformado em caixa das operações. Compara uma medida pelo regime de competência com o desempenho medido pelo regime de caixa

Fórmula – Fluxo/Lucro = (Fluxo de Caixa das Atividades Operacionais/Lucro Líquido) x 100

Sendo
Fluxo de Caixa das Atividades Operacionais = refere-se ao caixa gerado pela empresa derivado as atividades operacionais
Lucro Líquido = corresponde ao lucro líquido do período

Unidade de Medida – O índice está expresso em valores percentuais

Intervalo da medida – As possibilidades do intervalo do índice são diversas. Como também o numerador quanto o denominador pode ser positivos ou negativos, o índice pode, teoricamente, variar entre menos infinito e mais infinito. O mais comum é que o índice esteja próximo dos 100%.

Como calcular – Os valores da determinação deste índice podem ser encontrados na demonstração dos fluxos de caixa e na demonstração do resultado do exercício. Para as empresas que usam o fluxo indireto, basta a demonstração dos fluxos de caixa.

A figura a seguir mostra o extrato desta demonstração para a BRMalls , uma empresa que administra diversos shoppings no Brasil.

Em 2011 a empresa gerou um lucro de 471 milhões de reais, mas o fluxo de caixa foi de menos 56 milhões de reais. Assim, o índice fluxo sobre lucro é dado por:

Fluxo sobre Lucro = (-55 710 / 471 019) x 100 = - 11,83%

Isto indica que a empresa, apesar de gerar lucro no exercício, não consegue transformar este resultado em fluxo das operações. Observe que no exercício anterior, de 2010, o índice era de 11,48%, indicando que a quantidade de caixa gerada representava somente onze por cento do lucro gerado. Ou seja, nos dois últimos exercícios a empresa não conseguiu transformar o lucro em dinheiro.

Grau de utilidade – Elevado. No longo prazo este índice deve ser igual a unidade, já que o lucro tende a ser igual ao caixa. Assim, quando o índice é menor que 100% podemos ter uma sinalização da existência de gerenciamento dos accruals na contabilidade.

Controvérsia de Medida – Existe alguma controvérsia sobre a medida. Alguns autores usam o lucro operacional em lugar do lucro líquido. Além disto, em razão dos valores assumirem tanto valores positivos quanto negativos, o sinal do índice pode provocar confusão no analista.


Observações Adicionais
a) Como tanto o numerador quanto o denominador podem assumir valores positivos e negativos o resultado do índice pode ser enganoso. Assim, se ambos são negativos, o resultado é positivo. O importante é comparar o valor do fluxo com o valor do lucro. Podemos estabelecer a seguinte regra: a1) ambos positivos – o valor deve ser próximo de 100%; b) ambos sendo negativos – o valor deve estar próximo de 100%; c) um deles negativo e outro positivo – o valor deve estar próximo de zero e os valores do lucro e do fluxo não devem ser expressivos.
b) Este índice pode variar quando a empresa está em fase de crescimento. Neste caso, o aumento da depreciação irá influenciar no lucro, mas não no fluxo operacional.
c) Para as empresas que consideram que a despesa financeira é um item decorrente da atividade de financiamento, o mais adequado é usar o lucro operacional.

26.3.12

Prazo de Estocagem


Definição – quantos dias o estoque fica na empresa. Mostra o tempo, em dias, que a empresa leva para vender seus estoques.
Fórmula – Prazo de Estocagem = (Estoque médio / Custo da Mercadoria Vendida) x 360
Sendo
Estoque Médio = corresponde a média do estoque inicial mais estoque final, dividido por dois.
Custo da Mercadoria Vendida = refere-se ao valor das mercadorias que foram vendidas pela empresa no período

Unidade de Medida – O valor está expresso em dias.


Intervalo da medida – O índice varia entre zero a infinito. Maiores valores indicam que os estoques duram mais nas prateleiras da empresa. Normalmente o valor máximo não deve ultrapassar a um ano.

Como calcular – As informações estão disponíveis na demonstração do resultado e nos balanços patrimoniais.

Vamos usar o exemplo da Magazine Luíza, uma empresa de comércio varejista. A figura a seguir mostra o balanço patrimonial da empresa:

A média dos estoques é dado por:
Estoque médio = (1264 657 + 849 799) / 2 = 1 057 228

O custo da mercadoria vendido é obtido na demonstração do resultado da empresa:

Observe na figura que está incluso na linha de custo também captações para operações financeiras. A empresa detalha a parte referente a mercadoria vendida em notas explicativas.

Assim, o Custo da Mercadoria Vendida que deve ser usado corresponde a R$4 163 438 mil reais. Com estes valores podemos calcular o prazo de estocagem:

Prazo de Estocagem = (1 057 228 / 4 163 438 ) x 360 = 91 dias

Ou seja, o estoque permanece na empresa por 91 dias.

Grau de utilidade – Elevado. O índice é muito importante para empresas comerciais e industriais, mas pouco expressivo para empresas prestadoras de serviços.  Entretanto, para fins de política econômica, o índice pode sinalizar o comportamento da economia. Geralmente em situações de recessão, as empresas tendem a acumular um grande volume de estoques num primeiro instante, o que aumenta o prazo de estocagem. Em momentos de saída da recessão, as indústrias de produção de insumos tendem a aumentar o volume de estocagem.

Controvérsia de Medida – Nenhuma.

Observações Adicionais
a) O prazo de estocagem pode ser influenciado por variações sazonais. No caso da empresa analisada, a mesma promove uma grande liquidação em janeiro. Isto justificar o prazo aparentemente elevado encontrado no índice.
b) O prazo de estocagem pode ser influenciado por variações de longo prazo. A criação de um canal de distribuição mais eficiente, aliado a melhoria na logística no país, pode indicar uma redução no prazo de estocagem.
c) Em períodos inflacionários, o estoque pode ser usado como uma forma de redução das perdas com inflação. Isto tende a aumentar o prazo de estocagem, já que as empresas compram mercadorias para se protegerem da inflação.
d) De uma maneira geral, comércios são mais eficientes quando possuem prazos reduzidos de estocagem. Entretanto, esta redução pode ter como consequência uma perda de clientes, em razão do aumento no número de mercadorias não repostas, que leva a perda de vendas.
e) O prazo de estocagem pode ser influenciado pelo setor de atuação. Isto é particularmente verdadeiro para indústrias, onde o processo produtivo impede reduções drásticas no nível de estocagem.


Veja também
Valor Adicionado sobre Receita
Margem Líquida
Giro do Ativo
P/L
RSPL
Endividamento Oneroso
Endividamento
Fluxo de Caixa Livre
Ebitda
Margem Operacional
NIG sobre Vendas
Valor do Empreendimento
Capitalização
Margem Bruta
ROI 
Liquidez Corrente


23.3.12

Valor Adicionado sobre Receitas


Definição – quanto da receita da empresa corresponde a valor que foi adicionado a economia. Representa a contribuição da empresa para economia.

Fórmula – Valor Adicionado sobre Receitas = (Valor Adicionado Produzido / Receita Líquida de Vendas) x 100

Sendo
Valor Adicionado Produzido = corresponde ao que a empresa adicionou, em termos econômicos, as vendas realizadas no período.
Receita Líquida de Vendas = refere-se às vendas de produtos e serviços, líquida de impostos sobre vendas, abatimentos e devoluções. Inclui também as receitas relativa a construção de ativos próprios.

Unidade de Medida – O valor está expresso em percentual.

Intervalo da medida – O índice varia entre zero a 100%. Quando mais próximo do cem por cento, maior a agregação de valor da empresa para economia.

Como calcular – As informações estão disponíveis na demonstração do valor adicionado.

A seguir encontra-se a DVA da empresa MPX Energia. No ano de 2011 a empresa gerou um valor adicionado de 943 milhões de reais para uma receita de 1203 milhões.

Assim, o índice é dado por:

Valor Adicionado sobre Receita = (942 949 / 1 202 709) x 100 = 78,4 %

Ou seja, a empresa adicionou 78,4% para a economia.

Grau de utilidade – Regular. A demonstração do valor adicionado não é muito usada em outros países. Assim, isto impede uma comparação internacional. Além disto, é uma inovação recente da legislação brasileira, o que significa dizer que não existe uma tradição de análise desta informação.

Controvérsia de Medida – Para os teóricos do livre mercado, o importante é a empresa gerar lucro. Entretanto, em razão do exposto anteriormente, não existe uma efetiva controvérsia neste índice em razão do grau de utilidade.

Observações Adicionais
a) Observe que usamos a receita da DVA. Este valor é diferente da receita obtida na demonstração do resultado em razão da inclusão de receita na produção de ativos próprios. Para a MPX, a receita da DRE foi de 168 milhões de reais, bem inferior a receita usada no cálculo.
b) É importante também observar a destinação do valor que foi agregado pela empresa.
c) Uma empresa industrial deverá apresentar um índice mais elevado do que uma empresa comercial em razão das características do setor de atuação.
d) Para a economia de um país é importante o valor adicionado. Assim, quanto mais uma empresa gerar de valor adicionado, mais isto terá consequências em termos do PIB. Por este motivo, é interessante acompanhar a evolução no tempo deste índice. No exemplo da empresa MPX, no ano de 2010 ela gerou R$1657 milhões de valor adicionado para uma receita de 1734 milhões de reais. Ou seja, o índice foi de 95,5%. Assim, em relação a 2010, o valor do ano de 2011 mostra menos valor adicionado.
e) Empresas em fases pré-operacionais tendem a gerar mais valor adicionado que empresas que estão em operação.


Veja também
Margem Líquida
Giro do Ativo
P/L
RSPL
Endividamento Oneroso
Endividamento
Fluxo de Caixa Livre
Ebitda
Margem Operacional
NIG sobre Vendas
Valor do Empreendimento
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Margem Bruta
ROI 
Liquidez Corrente


22.3.12

Margem Líquida


Definição – corresponde ao que sobra para os acionistas em relação as receitas com vendas e prestação de serviços da empresa. Mostra qual o lucro líquido para cada unidade de venda realizada na empresa.

Fórmula – Margem Líquida = (Lucro Líquido / Vendas) x 100

Sendo
Lucro Líquido – resultado líquido apurado após pagamento de impostos e despesas financeiras
Vendas – refere-se as vendas da empresa, líquidas de impostos sobre vendas, abatimentos e devolução.

Unidade de Medida – Este índice está expresso em percentagem.

Intervalo da medida – O valor das vendas é positivo. Além disto, o lucro é menor, em números absolutos, que as vendas, sendo positivo ou não. Assim, o intervalo do índice pode variar entre -100% a 100%. Existem alguns poucos casos onde este intervalo pode ser maior em razão do prejuízo da empresa.

Como calcular – As informações são obtidas na demonstração do resultado de cada empresa.
Considere a figura a seguir, referente a empresa Minerva. Esta empresa, que atua na produção de carnes e derivados, apresentou a seguinte demonstração do resultado:

Ou seja, em 2011 gerou uma receita de R$3,5 bilhões e um lucro de R$45 milhões. Desta forma, a margem líquida é dada por:

Margem Líquida = (45 364 / 3 469 509 ) x 100 = 1,31%

Assim, de cada unidade monetária de vendas na empresa, o acionista terá um pouco mais de um centavo.

Grau de utilidade – Elevado. É um índice muito usado de rentabilidade para o acionista.

Controvérsia de Medida – Não existe controvérsia na mensuração da margem líquida.

Observações Adicionais

a) A análise conjunta da margem bruta, operacional e líquida é bastante rica. Observe que a empresa do exemplo teve uma baixa margem líquida e o resultado antes dos impostos foi negativo;
b) A análise através da margem líquida olha o lado do acionista. Já a análise da margem operacional observa o comportamento do lucro sob a ótica da empresa.
c) As empresas que são mais lucrativas possuem margem líquida maiores. Entretanto o resultado deve ser analisado dentro de um contexto maior, comparando com os concorrentes e com os fatores externos. Muitas empresas sacrificam a margem para obter mercado, por exemplo; neste caso, o ganho de mercado pode ser compensado por lucros futuros maiores.

Veja Também
Giro do Ativo

P/L
RSPL
Endividamento Oneroso
Endividamento
Fluxo de Caixa Livre
Ebitda
Margem Operacional
NIG sobre Vendas
Valor do Empreendimento
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Margem Bruta
ROI 
Liquidez Corrente

20.3.12

Giro do Ativo


Definição – relaciona o total das vendas produzidas com o ativo da empresa. Mostra quantas vezes o ativo girou no período. Corresponde a um índice de eficiência no uso dos ativos.

Fórmula – Giro do Ativo = Vendas / Ativo Médio
Sendo
Vendas – corresponde as receitas líquidas de prestação de serviço e venda de produto, líquida de impostos, abatimentos e devoluções
Ativo Médio – refere-se ao ativo inicial mais o ativo final dividido por dois.

Unidade de Medida – É um número absoluto. Geralmente falamos de quantas “vezes” o ativo girou.


Intervalo da medida – Sendo que os dois números são positivos, o valor do giro do ativo pode variar entre zero e infinito. Entretanto, valores entre 0,5 a 5 são mais comuns.


Como calcular – As informações são obtidas na demonstração do resultado e no balanço patrimonial da empresa.
A figura a seguir refere-se a demonstração do resultado da empresa Gol.  Durante o terceiro trimestre de 2011 a receita da empresa foi de 1,8 bilhões de reais.


O balanço patrimonial, apresentado a seguir, mostra o valor do ativo da empresa:

Como a venda é do terceiro trimestre de 2011, para calcular o índice é necessário achar a média entre o ativo inicial e o ativo final. Neste caso, entre 9,195 bilhões e 9,633 bilhões:

Ativo Médio = (9 195 926 + 9 632 749) / 2 = 9 414 338 mil

Assim, o giro do ativo é dado por:

Giro do Ativo = 1 843 698 / 9 414 338 = 0,1958 no trimestre

Assim, em três meses a empresa girou seu ativo em 0,2 aproximadamente. Em um ano isto corresponde a 0,7833 (ou 0,1958 x 4).

Grau de utilidade – Elevado. O giro do ativo pode ser usado em diferentes tipos de setores e empresas.

Controvérsia de Medida – Pouca. Em alguns casos é possível usar o valor do investimento (vide ROI para entender a diferença entre investimento e ativo); em outros, adicionar todas as receitas, incluindo as receitas financeiras.

Observações Adicionais
a) Também é possível calcular o giro do ativo usando o valor inicial do ativo ou o valor final do ativo. Como o ativo não deve sofrer variações substanciais ao longo do tempo, os resultados obtidos por estas fórmulas alternativas devem ser aproximadamente iguais. Veja uma discussão maior no retorno sobre o patrimônio líquido.
b) Este índice é propício a fazer algumas relações interessantes. Se multiplicarmos o numerador e denominador pelo lucro operacional obtém o seguinte: Giro do Ativo = (Vendas / Ativo Médio) x (Lucro Operacional / Lucro Operacional) = (Lucro Operacional / Ativo Médio) x (Vendas / Lucro Operacional) = Retorno do Ativo / Margem Operacional
c) É preciso ter cuidado em saber que o período de tempo usado para as vendas. O giro do ativo usando as vendas trimestrais tende a ser menor que o mesmo índice usando vendas anuais. O correto seria transformar o valor em dado anual, como fizemos no exemplo;
d) Em empresas que usam arrendamento, em razão da falta do registro contábil, o valor do ativo pode estar subestimado.
e) Acredita-se que empresas com maior giro sejam mais eficientes, pois conseguem gerar mais receitas com seu ativo. Entretanto o índice depende do setor de atuação da empresa.


Veja também:
P/L
RSPL
Endividamento Oneroso
Endividamento
Fluxo de Caixa Livre
Ebitda
Margem Operacional
NIG sobre Vendas
Valor do Empreendimento
Capitalização
Margem Bruta
ROI 
Liquidez Corrente


P/L


Definição – corresponde a relação entre o preço da ação e o lucro por ação da empresa. Supondo que o lucro líquido é dos acionistas, mede o tempo de retorno do investimento de uma ação

Fórmula – P/L = Preço da ação / Lucro por ação

Sendo

Preço da ação = representa o valor de negociação médio das ações da empresa, numa determinada data.
Lucro por ação = corresponde ao lucro líquido do exercício dividido pelo valor da ação.
Como ambos os itens são divididos pelo número de ação, o P/L corresponde a relação entre o valor de mercado do capital próprio dividido pelo lucro líquido do exercício.

Unidade de Medida – A medida está expressa em número de períodos. Se o lucro usado corresponde ao lucro trimestral, o valor do P/L estará expresso em trimestres. O mais usual é usar o lucro anual e, portanto, o P/L corresponde ao número de anos.


Intervalo da medida – Como não faz sentido usar este índice quando a empresa tem prejuízo, podemos dizer que o intervalo está entre zero a infinito. Em momentos de mercado aquecido o valor tende a ser maior. Valores entre 5 a 20 são normais no mercado.


Como calcular – Este índice pode ser calculado por uma das duas fórmulas apresentadas. O lucro pode ser obtido na demonstração do resultado da empresa. Já o valor de mercado refere-se o valor cotado na bolsa de valores. Algumas bases de dados fornecem este número já calculado.

A figura seguir mostra o valor do P/L já calculado para a empresa Multiplus, que atua com programas de fidelidade. O índice já foi calculado e o resultado é de 21,3, indicando que com o lucro apurado pela empresa e o preço de negociação da ação no mercado, um investidor levará 21,3 anos para ter de volta o valor investido, considerando somente a geração de lucro.

Grau de utilidade – Moderado. Sua aplicação só pode ser feita para empresas com ações negociadas na bolsa de valores. Isto, obviamente, limita seu uso. Mas este é um índice que também possui aplicações mais abrangentes, sendo usado, na média do mercado, para evidenciar o grau de “aquecimento” do mercado.

Controvérsia de Medida – Alguma. O principal problema talvez seja o cálculo do lucro por ação.

Observações Adicionais

a) Em situações onde existe um mercado aquecido, o valor do P/L tende a aumentar. Assim, é importante a observação de uma série histórica do índice.

b) O cálculo do lucro por ação deve levar em consideração os tipos de ações existentes em cada empresa, o percentual do capital e a cotação no mercado.

c) Como o lucro é uma informação divulgada, para as empresas de capital aberto, a cada três meses, a periodicidade deste índice deve ser também trimestral.

d) Para evitar que o índice seja influenciado pela distribuição de proventos, é comum as bases de dados fazerem um ajuste para proventos no preço das ações.

e) Durante um determinado período podem ocorrer ofertas e cancelamentos de ações. O mais usual é trabalhar com a estrutura de capital mais recente da empresa.

f) Assim como os demais índices, não existe um valor ideal. Valores elevados denotam um preço aquecido, indicando ser um momento para venda das ações; valores reduzidos pode ser um sinal de que o preço da ação da empresa está baixo. É sempre importante fazer um comparativo do histórico da empresa e do mercado.


Veja também:
RSPL
Endividamento Oneroso
Endividamento
Fluxo de Caixa Livre
Ebitda
Margem Operacional
NIG sobre Vendas
Valor do Empreendimento
Capitalização
Margem Bruta
ROI 
Liquidez Corrente

19.3.12

Sobre o Ebitda

Sobre o Ebitda:

(...) Ninguém sabe o que realmente é o EBITDA. O EBITDA claramente não é o lucro, pois finge que alguns custos reais são fictícios. (...) O EBITDA não é fluxo de caixa. E não faz uma proxy do fluxo de caixa, pois ignora as alterações do capital de giro, os ajustes para as alterações no imposto de renda diferido, bem como os efeitos de outros ajustes a longo prazo. De nenhuma maneira é uma proxy para o fluxo de caixa. Além disso, se alguém estivesse interessado no fluxo de caixa, por que ele não olha para o fluxo de caixa? (...) Finalmente, o EBITDA não é um valor relevante. Não há nenhuma teoria económica que liga EBITDA com o valor da empresa.

EBITDA: WARTS AND ALL. (imagem: aqui)

Retorno do Patrimônio Líquido

Definição – mede o retorno contábil obtido com o investimento do capital próprio. É abreviado como sendo RSPL.

Fórmula – Retorno sobre o Patrimônio Líquido = (Lucro Líquido / Patrimônio Líquido) x 100

Sendo
Lucro Líquido – corresponde ao resultado da entidade após impostos e despesas financeiras.
Patrimônio Líquido – é o capital próprio, originário dos acionistas. Unidade de Medida – O resultado estará expresso em percentagem.

Intervalo da medida – Pelo menos teoricamente o valor pode estar entre menos infinito a mais infinito. Entretanto, o número de empresas com patrimônio líquido negativo é reduzido, fazendo com que o intervalo mais comum esteja entre menos 100% a infinito.

Como calcular – Para calcular este índice são necessárias duas demonstrações: o balanço patrimonial e a demonstração do resultado. A maior questão com respeito ao cálculo deste índice diz respeito ao valor do denominador. Em geral três soluções são possíveis:

a) Usar o patrimônio líquido do final do exercício – esta solução tem a vantagem de não perder informação quando a análise é feita através da série histórica.  Talvez seja mais usada em pesquisas acadêmicas, mas carece de sustentação teórica;

b) Usar o patrimônio líquido médio – calcula-se a média do patrimônio líquido para obter o denominador. O lucro seria decorrente do capital dos acionistas médio existente durante o exercício social;

c) Usar o patrimônio líquido inicial – considerando que alocar recursos numa empresa corresponde a um tipo de investimento, quando desejamos saber o retorno de qualquer investimento comparamos o que foi investido no início do período com o retorno. Assim, esta seria a melhor alternativa. Entretanto, em séries históricas isto pode significar perder uma informação.

A figura abaixo mostra a demonstração do resultado em R$ mil da empresa Alpargatas  para o quatro trimestre de 2010, de 2011 e anos de 2010 e 2011, nesta ordem. O lucro de 2011 foi de 307 milhões de reais. Este é o valor que iremos usar no índice.
A figura abaixo mostra um extrato do balanço patrimonial da empresa para 31 de dezembro de 2011 e 2010, nesta ordem, em R$mil, com o destaque para o Patrimônio Líquido.
Usando a terceira forma de calculo do RSPL tem-se: RSPL = 307 420 / 1 348 073 = 22,80% Isto significa que os acionistas tiveram um retorno de 22,80% ao investirem na empresa.

Grau de utilidade – Elevado. É uma medida relevante do retorno do investimento de uma empresa.

Controvérsia de Medida – Alguma, em especial com respeito a forma de cálculo do patrimônio líquido. Em algumas empresas isto não provoca grandes alterações no resultado final, como é o caso da Alpargatas, onde o RSPL seria de 20,63%, 21,67% e 22,80%, usando o patrimônio líquido final, médio e inicial.

Observações Adicionais

a) O RSPL pode ser comparado com a rentabilidade de investimentos do mercado (por exemplo, a rentabilidade de uma caderneta de poupança) ou com outras empresas;
b) No longo prazo espera-se que a rentabilidade do capital próprio seja superior ao ROI. Isto decorre da taxa de juros do capital de terceiros ser menor que o retorno para os acionistas;
c) Os valores para cálculo do RSPL também podem ser obtidos na Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido da empresa.


Veja também:
Endividamento Oneroso
Endividamento
Fluxo de Caixa Livre
Ebitda
Margem Operacional
NIG sobre Vendas
Valor do Empreendimento
Capitalização
Margem Bruta
ROI 
Liquidez Corrente

16.3.12

Endividamento Oneroso


Definição – Mensura a participação do endividamento que gera despesa financeira para empresa em relação ao total do ativo

Fórmula – Endividamento = (Passivo Oneroso / Ativo) x 100

Sendo
Passivo Oneroso – Deve ser considerado somente o passivo que gera despesa financeira para a empresa: empréstimo, financiamento e debêntures. Não são considerados os passivos relacionados ao ciclo operacional ou referentes as dívidas com o governo.
Ativo – refere-se ao total do ativo da empresa. Nas empresas com desconto de duplicatas expressivo, este valor deverá ser considerado no passivo, pois se trata de um empréstimo com garantia.

Unidade de Medida – O valor está em percentagem. Como estamos usando dados do balanço patrimonial, o endividamento oneroso é uma informação de uma data específica, geralmente final de período.

Intervalo da medida – O índice pode variar entre zero e cem por cento, sendo que quando mais próximo de cem por cento mais endividada será a empresa. Pelo menos teoricamente o valor pode ser maior que cem, quando a empresa possui passivo a descoberto.

Como calcular – A fonte do índice é o balanço patrimonial da empresa.

A figura a seguir é o extrato do balanço da empresa Positivo Informática. Os valores estão em mil reais. Observe que se deve separar o passivo oneroso somente, que no caso corresponde aos empréstimos:

Passivo Oneroso = 236 441 + 116 377 = 352 818


O valor do ativo é obtido facilmente, conforme a figura abaixo:

Assim, o endividamento oneroso corresponde a:

Endividamento Oneroso 31/12/2011 = 352,8 / 1451 = 24,3%

Grau de utilidade – Moderado. É um índice pouco destacado na literatura e na prática, apesar de ser bastante útil. É interessante comparar o resultado com o endividamento. Na empresa que usamos como exemplo, o índice de endividamento é de 57,32% (661 milhões mais 171 milhões dividido por 1451). Ou seja, apesar do endividamento da empresa ser quase 60% do ativo, somente 24% gera despesa financeira.

Controvérsia de Medida – Pouca.

Observações Adicionais
a) Uma alternativa é comparar com o investimento da empresa, conforme demonstrado no índice ROI.
b) Apresentar um endividamento oneroso não significa algo ruim. Se a taxa de juros cobrada no empréstimo for reduzida, isto indica que a empresa consegue captar por um custo baixo e poderá aproveitar a alavancagem.
c) O endividamento oneroso possui um resultado menor que o endividamento. Esta diferença corresponde ao endividamento com passivo não onerosos. No caso da empresa Positivo, 33% da estrutura de financiamento é derivada de terceiros, de maneira não onerosa.


Veja também:
Endividamento
Fluxo de Caixa Livre
Ebitda
Margem Operacional
NIG sobre Vendas
Valor do Empreendimento
Capitalização
Margem Bruta
ROI 
Liquidez Corrente

15.3.12

Endividamento


Definição – Mede se uma empresa é muito ou pouco endividada, ou seja, se usa muito ou pouco capital de terceiros onerosos.

Fórmula – Endividamento = (Passivo / Ativo) x 100

Sendo
Passivo – corresponde a soma do passivo circulante e do passivo não circulante (de longo prazo) da empresa. Para as empresas que possuem um quantidade significativa de desconto de duplicatas, do lado do ativo, este valor deverá ser somado ao passivo.
Ativo – refere-se ao total do ativo da empresa. Nas empresas com desconto de duplicatas expressivo, este valor deverá ser considerado no passivo, pois trata-se de um empréstimo com garantia.

Unidade de Medida – O endividamento está expresso em percentagem. Assim, falamos que uma empresa possui 40% de endividamento, significando que o passivo representa 40% do ativo da empresa.

Intervalo da medida – A rigor o endividamento pode ser superior a 100%, quando a empresa possui passivo a descoberto (ou seja, patrimônio líquido negativo). O normal é que o índice esteja entre 0 e 100%, sendo que quando maior o índice maior o nível de endividamento.


Como calcular – Os valores do índice são encontrados no balanço patrimonial das empresas.

A figura a seguir foi retirada do balanço da Braskem, obtido aqui. Os valores estão expressos em reais mil.

O passivo corresponde a soma do circulante e do não circulante:

Passivo = 6629 975 + 15 640 221 = 22 270 196

O denominador é o ativo, que corresponde a 32 054 milhões de reais. Assim, o endividamento é dado por:

Endividamento = (22 270 / 32 054) x 100 = 69,5%

Ou seja, o endividamento da empresa é de quase 70%. Assim, o ativo é financiado por 30% de capital próprio e 70% de capital de terceiros.

Grau de utilidade – Elevado. É um dos índices mais relevantes para análise de uma empresa. Mostra se a empresa é muito ou pouco endividada.

Controvérsia de Medida – Pouca. Existem algumas medidas alternativas, mas nada que questione a forma de cálculo apresentada aqui.

Observações Adicionais
a) Uma possibilidade alternativa é relacionar o passivo com o patrimônio líquido. A desvantagem desta opção é que o intervalo da medida poderá variar entre zero e infinito. Já o índice passivo sobre ativo varia entre zero e cem por cento.

b) O fato de a empresa ser muito endividada não significa necessariamente algo ruim. Tudo irá depender da composição da dívida. No exemplo apresentado, observe que quase todo dívida de curto prazo da empresa é originária de fornecedores, que geralmente não tem despesas financeiras. Isto significa 5 bilhões de reais. Os financiamentos e empréstimos, geram despesa financeira, corresponde a algo em torno de 12 bilhões de reais. Além disto, quando a empresa consegue captar a um custo reduzido, numa operação com juros subsidiados, volumes elevados de financiamento pode permitir alavancar o resultado da empresa.

Veja também:

Fluxo de Caixa Livre
Ebitda
Margem Operacional
NIG sobre Vendas
Valor do Empreendimento
Capitalização
Margem Bruta
ROI 
Liquidez Corrente

14.3.12

Fluxo de Caixa Livre


Definição – O fluxo de caixa livre corresponde a movimentação do caixa com as atividades operacionais mais o fluxo decorrente dos investimentos de capital realizados.


Fórmula – Fluxo de Caixa Livre = Fluxo de Caixa das Atividades Operacionais – Gastos com manutenção de capital

Sendo
Fluxo de Caixa das Atividades Operacionais – refere-se ao fluxo das operações, conforme obtido na demonstração dos fluxos de caixa. Não devem ser consideradas neste item as despesas financeiras, que em algumas DFCs é parte do fluxo operacional.

Gastos com Manutenção de Capital – corresponde ao caixa usado para aquisição de imobilizado da empresa. Para as empresas que obtiveram receita com venda de imobilizado este valor deve ser retirado.

Unidade de Medida – O Fluxo de Caixa Livre está expresso em reais.


Intervalo da medida – Pode variar bastante, já que a unidade de medida é um número absoluto. Em geral o fluxo das atividade operacionais tende a ser positivo. Já os gastos com manutenção de capital geralmente são negativos. Quando o valor é negativo, considerando que a primeira parcela positiva, isto indicaria que a empresa está investimento dinheiro em imobilizados que precisam ser financiados por capital de terceiros ou pelos acionistas. Quando o fluxo de caixa livre é positivo isto significa que o caixa gerado nas operações é suficiente para financiar os investimentos de capital, sobrando dinheiro que será usado para remunerar o capital de terceiros e o capital próprio.


Como calcular – Algumas empresas calculam o fluxo de caixa livre. Entretanto, como não existe uma padronização, os métodos de cálculo podem variar muito. Os valores podem ser obtidos na DFC.

Considere a empresa Fibria e o seguinte extrato da DFC.

A última coluna corresponde a informação de 2010 e a penúltima de 2011, em milhões de reais. O fluxo operacional de 2011 foi de 1348 milhões de reais, mas está incluso juros pagos no financiamento, de 582.

Precisamos eliminar isto do fluxo operacional. Logo após, nas atividades de investimento, existem duas linhas: aquisição de imobilizado e receita na venda de imobilizado. Estas duas linhas correspondem ao gasto com capital. Assim o fluxo de caixa livre é dado por:

Fluxo de Caixa Livre de 2011 = (1348 + 582) – (1240 – 82) = 772 milhões de reais

Podemos fazer o mesmo cálculo para 2010:

Fluxo de Caixa Livre de 2010 = (1696 + 722) – (1066 – 20) = 1372 milhões de reais

Observe que a empresa reduziu o fluxo de caixa livre em 600 milhões de reais em razão da redução da geração de caixa das operações. Anualmente a empresa gasta em capital mais de 1 bilhão de reais.

Uma forma mais preguiçosa de calcular o fluxo de caixa livre é somar o fluxo das operações com o fluxo de investimento. No caso da Fribia isto representaria um Fluxo de Caixa Livre de 620 milhões e -122 milhões em 2011 e 2010, respectivamente.

Conforme afirmado anteriormente, algumas empresas calculam e apresentam esta informação. É o caso da Fibria. Entretanto seu cálculo parte do Ebitda ajustado, considera as despesas financeiras, o pagamento de dividendos e impostos. O valor obtido pela empresa está na figura a seguir
 Esta forma de cálculo não é adequada e não reflete o fluxo de caixa livre.

Grau de utilidade – Moderada. O fluxo de caixa livre é um índice importante no longo prazo. Entretanto, em empresas com investimentos cíclicos, a medida pode gerar distorção. A rigor o melhor seria a projeção desta medida, pois representaria o fluxo de caixa previsto antes da distribuição do resultado da empresa.


Controvérsia de Medida – Muita. Observe no exemplo usado que a forma de cálculo da empresa é bastante divergente daquela que propomos.

Observações Adicionais

a) No longo prazo o fluxo de caixa livre deve ser positivo. Situações de valores negativos persistentes indicariam que a empresa não consegue gerar dinheiro para pagar seus financiadores;

b) Em alguns setores, os investimentos de capital são cíclicos. Isto faz com que períodos longos de fluxo de caixa livre positivo sejam acompanhados de períodos onde o fluxo pode ser negativo em razão do elevado volume de investimento. Nestes períodos a empresa geralmente evita pagar dividendos.

c) O fluxo de caixa livre pode ser usado comparando com as vendas anuais do período. Isto poderia facilitar a análise comparativa entre empresas de diferentes portes.

d) A rigor o gasto com manutenção de capital deveria ser estimado pelo analista, considerando todos os investimentos necessários para a empresa se manter no mercado.

e) Quando a empresa tem dificuldades de gerar caixa das operações existe uma tendência a reduzir o volume de investimento. Apesar disto permitir que o fluxo de caixa livre seja positivo num determinado exercício social, esta opção pode comprometer a participação da empresa no mercado.

13.3.12

Ebitda


Definição – O EBITDA é a sigla para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização. Corresponde a uma forma de calcular um lucro, obtido a partir da demonstração do resultado, sem levar em consideração estes itens.

Fórmula – Ebitda = Lucro Operacional Antes do Imposto de Renda e Despesa Financeira + Depreciação + Amortização

Sendo

Lucro Operacional – corresponde ao resultado operacional da empresa, antes do cálculo do imposto de renda. Ou seja, corresponde ao resultado proveniente dos ativos da empresa. Isto deveria incluir as receitas financeiras, assim como o resultado com investimentos realizados em outras empresas e outros tipos de receitas. Como nós calculamos o lucro operacional correto antes da despesa financeira, não é necessário incluir a despesa financeira no cálculo.

Depreciação e Amortização – refere-se a parcela destas despesas, que podem estar nas despesas operacionais ou no custo dos produtos industrializados pela empresa que foram vendidos no período.

Unidade de Medida – O Ebitda está expresso em reais.

Intervalo da medida – A rigor, pode variar de um número negativo até um número positivo. Entretanto como não considera as despesas financeiras, os impostos e a depreciação e amortização, o Ebitda tende a ser positivo. A história deste índice mostra que ele foi divulgado exatamente por transformar resultados operacionais negativos em Ebitda positivo. Ou seja, é um índice que foi criado para ser positivo.

Como calcular – A CVM tem uma instrução própria mostrando como as empresas devem calcular o Ebitda para fins de divulgação. Esta instrução foi criada em razão das diversas formas que estavam sendo usadas no mercado para obter este valor. Ela é válida para empresas de capital aberto.

Iremos mostrar como se deve fazer o cálculo para qualquer tipo de empresa. A figura a seguir mostra a demonstração do resultado da Gerdau S/A obtida no seguinte endereço.

Com a figura acima é possível calcular o lucro operacional antes das despesas financeiras.

Lucro Operacional = Resultado antes dos Tributos sobre o Lucro + Despesas Financeiras =1 981 661 + 298 451 = 2 280 112 mil reais

Observe que a despesa financeira é somada uma vez que não entra no cálculo do lucro operacional.

É necessário obter a informação da depreciação e amortização. Em geral este valor é obtido na Demonstração dos Fluxos de Caixa. Veja o extrato desta demonstração para Gerdau S/A a seguir

Lembrando que

Ebitda = Lucro Operacional + Amortização e Depreciações
Ebitda = 2 280 112 + 128 383 = 2 408 495 mil reais.

Ou seja, o Ebitda da Gerdau S/A foi de 2,4 bilhões de reais em 2011.

Grau de utilidade – Regular. Alguns investidores usam o Ebitda para empresas novas, tentando projetar o seu grau de viabilidade. Em algumas empresas o Ebitda é usado para fins de remuneração.

Controvérsia de Medida – Muita. O Ebitda tem sido considerado um substituto do fluxo de caixa por alguns analistas. Não é. O Ebitda tem sido usado como uma aproximação da agregação de valor de uma empresa. Não existe nenhuma vinculação comprovada entre o Ebitda e o valor da empresa, na teoria e na prática. O Ebitda tem sido usado por empreendimentos recentes, em buscas de novos investidores. Durante a bolha da internet e nos períodos de crescimento da bolsa, cresceu o uso deste índice. Desconfie de uma empresa que enfatiza o resultado pelo Ebitda, mas não pelo índices mais conservadores.

Observações Adicionais
a) O Ebitda também tem sido usado em certos índices, seja no numerador ou no denominador. Assim, é possível encontrar “ebitda sobre vendas” ou “valor do empreendimento sobre ebitda”.

b) Em geral o resultado do Ebitda é mais favorável para empresa que o lucro operacional. Por este motivo, as empresas com prejuízo operacional preferem destacar o Ebitda, que tende a apresentar um resultado melhor para empresa.

c) O Ebitda é muito controverso. O famoso investidor Warren Buffett, numa de suas cartas anuais para os acionistas de sua empresa, criticou esta medida.

12.3.12

Margem Operacional

Definição – Este índice mostra qual o lucro operacional obtido por uma empresa para cada unidade de venda realizada.

Fórmula – (Lucro Operacional / Vendas Líquidas) x 100

Sendo

  Lucro Operacional – corresponde ao resultado operacional da empresa. Ou seja, é o resultado proveniente do investimento realizado nos seus ativos. Isto inclui também o resultado com aplicações financeiras (receitas financeiras), com investimento em outras empresas e outros tipos de receitas denominadas de “não operacionais”. No passado o lucro operacional no Brasil incluía as despesas financeiras, mas isto felizmente é passado. Que fique como uma nota de rodapé da nossa história.

  Vendas Líquidas – corresponde a receita de vendas de produtos e serviços da empresa, líquido de impostos sobre vendas, abatimentos e devoluções.

  Unidade de Medida – O valor está expresso em percentual sobre as vendas.

  Intervalo da medida – A margem operacional pode variar entre -100% até infinito. Espera-se que uma empresa possua resultado operacional positivo; deste modo, o índice será positivo. Também não é usual que a margem ultrapasse os 100%, já que neste caso o lucro operacional seria maior que a receita de vendas. Mas é uma exceção que pode ocorrer.

  Como calcular – A seguir encontra-se a demonstração do resultado do 4º. Trimestre da Marisa, uma empresa de varejo na área de confecção, em R$ mil.
A receita líquida da empresa foi de 765 milhões de reais: Receita Líquida = 651 056 + 100 584 + 13 556 = 765 196 mil O lucro operacional deve incluir as receitas financeiras, que são originárias das aplicações financeiras das sobras de recursos do capital de giro. Ou seja, as receitas financeiras fazem parte da atividade operacional da empresa. Assim, o lucro operacional é de:

 Lucro Operacional = 69 497 + 34 794 = 104 291 mil reais.

 A Margem Operacional da empresa pode ser obtida da seguinte forma:

 Margem Operacional = (104 291 / 765 196) x 100 = 13,62%

 Isto significa dizer que de cada R$100 de receita que a empresa obtém, R$13,62 representa o lucro das operações, antes do imposto de renda e da remuneração dos financiadores (capital próprio e de terceiros).


Grau de utilidade – Moderadamente elevada. Existem outros índices de margem, o que reduz um pouco a utilidade. Além disto, é um indicador com polêmica no cálculo.

  Controvérsia de Medida – Alguma. Em geral os analistas usam o lucro antes das receitas financeiras. Mas isto é incorreto, tecnicamente.

  Observações Adicionais

a) A margem operacional é o que resta, antes de remunerar os financiadores da empresa. Se a margem é negativa, isto provavelmente significa que os acionistas irão arcar com prejuízo. No longo prazo, uma empresa com margem negativo é inviável.

 b) A margem operacional também pode ser calculada após o imposto de renda, mas antes da despesa financeira. No caso da Marisa, o lucro antes do imposto de renda e contribuição social foi de 50 149 mil reais. O imposto de renda e contribuição somaram 13 876 mil, o que significa uma alíquota de 27,67% (ou 13876/50149). Como o lucro operacional obtido foi de R$104 milhões, este lucro após o imposto seria de 75 434 mil reais [ou 104291 x (1 – 0,2767)]. Isto corresponde a uma margem operacional após imposto de 9,85%. Outra forma de obter este número é multiplicar 13,87 por (1-0,2767).

 c) Margens maiores indicam maior lucratividade. Entretanto, em alguns momentos, as empresas podem reduzir sua margem para ganhar mercado. Assim, margens reduzidas pode não ser um fator negativo. d) Este índice pode ser desdobrado da seguinte forma:
Uma empresa pode aumentar sua margem operacional melhorando o retorno do ativo ou girando mais suas vendas.

11.3.12

NIG sobre Vendas


Definição – Quantos dias de vendas a empresa precisa para financiar a necessidade de investimento em giro.

Fórmula – (Necessidade de Investimento em Giro / Vendas Diárias)

Sendo

Necessidade de Investimento em Giro – corresponde aos valores diretamente vinculados ao ciclo operacional da empresa. Em geral os principais itens da necessidade de investimento em giro as contas a receber e estoques, do ativo circulante, e fornecedores e obrigações sociais e trabalhistas, do passivo circulante. Alguns itens podem eventualmente serem considerados se existir relação com o ciclo de compra, estocagem e venda da empresa. Assim,

Necessidade de Investimento em Giro = Estoques + Contas a Receber – Fornecedores – Obrigações Sociais e Trabalhistas

Vendas Diárias – corresponde a receita líquida de vendas,dividido pelo número de dias do período. Se a receita estiver relacionada com o trimestre, divide por noventa dias; se a receita for anual, por 360.

Unidade de Medida – Como a fórmula divide uma unidade monetária por unidade monetária por dias de vendas, a expressão final está em dias.

Intervalo da medida – A Necessidade de Investimento em Giro pode variar entre um número negativo e positivo. Espera-se que este valor não seja superior a um ano de dias de vendas, ou seja, 360, pois isto indicaria um excesso de investimento em capital de giro da empresa.

Como calcular – O cálculo utiliza informações do Balanço Patrimonial da empresa com a conta de vendas da Demonstração do Resultado.
A figura abaixo mostra informações do terceiro trimestre de 2011 da Drogasil.


A seguir o passivo da empresa:
 
O cálculo da Necessidade de Investimento em Giro da empresa é feito da seguinte forma:

NIG = 154 208 + 361 375 – 45 319 – 180 860 = R$ 289 404 mil

A figura a seguir mostra o extrato da demonstração do resultado a empresa:

Neste caso, a receita liquida de vendas do trimestre foi de R$599 849. Considerando noventa dias de operação no trimestre, tem-se que as vendas diárias foram de R$6.664 mil, aproximadamente.

O índice é obtido da seguinte forma:

NIG/Vendas Diárias = 289 404 / 6.664 = 43,42 ou 43 dias de vendas

Isto significa dizer que o investimento realizado pela empresa no capital de giro corresponde a 43 dias de vendas. A empresa precisa vender durante 43 dias para financiar suas necessidades de investimento em giro. É importante notar que parte do financiamento é feita pelos fornecedores.

Grau de utilidade – Moderada. Pode-se considerar um índice muito importante para as empresas comerciais. Ao contrário de alguns indicadores, restritos a empresas de capital aberto, este índice pode ser usado por qualquer tipo de empresa.

Controvérsia de Medida – Reduzida. Existe alguma controvérsia sobre o que incluir no numerador.

Observações Adicionais
a) Este índice também pode ser desdobrado em vários outros índices. Observe que

NIG sobre Vendas = (Estoques + Contas a Receber – Fornecedores – Obrigações Trabalhistas) / Vendas
NIG sobre Vendas = (Estoques/Vendas) + (Contas a Receber/Vendas) – (Fornecedores/Vendas) – (Obrigações Trabalhistas/Vendas)

NIG sobre Vendas = (Estoques/Vendas) x (CMV/CMV) + (Contas a Receber/Vendas) (Vendas a Prazo/Vendas a Prazo) – (Fornecedores/Vendas) x (Compras/Compras) – (Obrigações Trabalhistas/Vendas) x (Despesa de Salários / Despesa de Salários)

NIG sobre Vendas = (Prazo de Estocagem x % CMV nas Vendas) + (Prazo de Recebimento x % Vendas a Prazo) – (Prazo de Pagamento a Fornecedores x % Compras nas Vendas) – (Prazo de Pagamento de Salários x % Salários nas Vendas)

b) Como o analista pode usar vendas diárias do último trimestre ou do último ano, é possível fazer bastante variação no cálculo do índice. Veja o exemplo da Drogasil. Observe que na figura da demonstração do resultado também existe a informação das vendas acumuladas até final de setembro (segunda coluna de dados). Usando o valor de 1,7 bilhão de vendas nos três primeiros trimestres e dividindo este valor por 270 dias, vamos encontrar um NIG sobre Vendas de 46,3 dias.

c) Este índice pode apresentar um valor negativo. Isto ocorre em geral quando a empresa usa muito recurso de terceiro não oneroso, como fornecedores. Quando ocorre, isto significa que a empresa não coloca dinheiro seu no financiamento do giro. Empresas com posição dominante na negociação com fornecedores geralmente conseguem esta proeza.

d) O índice pode sofrer influencia da sazonalidade dos negócios. Nestes casos, recomenda-se que o analista esteja atento a este problema e use dados comparativos compatíveis. Empresas com forte crescimento também podem ter o índice influenciado.

e) Algumas empresas podem ter valores de estoques, fornecedores, contas a receber e obrigações trabalhistas no longo prazo. Apesar de esta situação ser uma exceção, sua inclusão ou não no índice irá depender de cada caso.

Veja também
Valor do Empreendimento 
Capitalização 
Margem Bruta
ROI
Liquidez Corrente


8.3.12

Ativos Não Operacionais

A avaliação de empresas é necessária frente a vários processos de negociações e pode ser realizada por meio de métodos distintos como o do Fluxo de Caixa Descontado, do Método de Múltiplos, do Valor Patrimonial, dentre outros. Quando o valor da empresa é calculado pelo método de Fluxo de Caixa Descontado devem ser realizados alguns ajustes quanto aos ativos não operacionais. De tal modo, o objetivo do trabalho foi verificar qual o tratamento sugerido pela teoria quanto aos ativos não operacionais para a avaliação das empresas e quais são os tratamentos de tais ativos não operacionais na prática. Outrossim, o objeto do estudo são os laudos de avaliação das ofertas públicas de ações publicados pela Comissão de Valores Mobiliários no período de 2005 a 2010. Para tanto, utilizou-se de uma pesquisa documental e qualitativa com a aplicação de uma análise de conteúdo. Como resultado observou-se que o tratamento dado aos ativos não operacionais condiz com a literatura pesquisada, sendo que a maioria dos laudos que adotam o Fluxo de Caixa Descontado e que contêm a palavra-chave “ativos não operacionais” considera tais itens em sua avaliação como ajustes após o cálculo do valor presente das empresas. Contudo, como o observado também na literatura, alguns laudos declaravam claramente que não consideravam tais itens em sua avaliação. Portanto, nota-se que a discussão que permeia na literatura em relação aos ativos não operacionais é refletida na prática.

O TRATAMENTO DOS ATIVOS NÃO OPERACIONAIS NA AVALIAÇÃO DE EMPRESAS - Luciana Miyuki Ikuno, Isabel Cristina Henriques Sales, César Augusto Tibúrcio Silva.
Fonte: Aqui

Valor do Empreendimento (entreprise value)

Definição – Refere-se ao montante de dinheiro necessário para adquirir uma empresa e reduzir todas suas dívidas.

Fórmula – Valor do Empreendimento = Capitalização + Dívida – Caixa e Equivalentes
Sendo
Capitalização – valor de mercado do patrimônio líquido da empresa, resultante do preço de mercado da empresa pelo número de ações existentes;
Dívida – valor das dívidas de curto e longo prazo da empresa. Observe que são considerados somente os passivos onerosos (empréstimos, financiamentos e debêntures). Os passivos de funcionamento (fornecedores, impostos, salários a pagar, entre outros) não são considerados.
Caixa e Equivalentes – corresponde ao total existente no caixa da empresa, na mesma data das demais medidas.

Unidade de Medida – Valor expresso em unidade monetária. Como a informação da dívida é obtida nas demonstrações contábeis, o valor do empreendimento corresponde a montante de final de período (trimestre ou ano).

Intervalo da medida – Entre zero e infinito. Quanto maior a empresa, maior o valor do empreendimento. Entretanto, podem existir empresas com valor teórico do empreendimento negativo. Isto acontece quando o valor do caixa e equivalentes é tão grande que suplanta o total da dívida e capitalização. Este é caso é mais teórico do que prático, já que uma empresa como esta está sujeita ao processo de arbitragem: um investidor externo pode comprar suas ações no mercado, liquidar a dívida e ainda ter dinheiro.

Como calcular – O cálculo da capitalização já foi objeto de postagem específica. A este valor, somam-se somente os passivos onerosos e subtrai o caixa e equivalente da empresa. Estes valores são encontrados no balanço patrimonial da empresa.

A figura abaixo foi extraída da Gerdau (clique na imagem para ver melhor)
Considerando somente os empréstimos e financiamentos (1715 e 11182 milhões), as debêntures (42 e 744 milhões) e obrigações por compra de ações (533 milhões) tem-se uma dívida total de R$14 217 milhões. 

Com respeito ao caixa da Gerdau, utiliza-se o caixa e equivalentes de 1.477 milhões, conforme figura a seguir:
Assim, o valor do empreendimento seria:

Valor do Empreendimento = 23520 + 14217 – 1477 = 36260 milhões de reais

Você precisaria de 36 bilhões de reais para comprar a Gerdau, pagar suas dívidas. E o caixa? Como você comprou a empresa, o caixa é seu, por isto este dado é retirado do cálculo.

Grau de utilidade – Regular. O fato de necessitar da capitalização restringe bastante seu uso, geralmente restrito as empresas de capital aberto. Além disto, e ao contrário da capitalização, a informação possui uma periodicidade que acompanha a divulgação das demonstrações contábeis.

Controvérsia de Medida – Existem algumas controvérsias em razão de algumas exclusões e adições. No exemplo apresentado anteriormente a inclusão da dívida foi bastante restrita, o que diminuiu o valor do empreendimento. Por outro lado, foi incluindo somente caixa e equivalentes. Se fosse incluído também as aplicações financeiras de curto prazo (3 bilhões de reais), o valor do empreendimento seria menor.


Cuidados Adicionais
a) Em geral podemos dizer que o valor do empreendimento corresponde ao que precisamos para comprar uma empresa e saldar suas dívidas. Mas isto é muito mais na teoria. Se começarmos a comprar as ações da Gerdau, o movimento natural do mercado é um aumento nos preços, o que aumentaria a capitalização. Além disto, para algumas empresas, o preço da ação negociada na bolsa não inclui o seu “controle”, o que tende a elevar ainda mais a capitalização;
b) Algumas empresas possuem aplicações financeiras de longo prazo, como era o caso da Gerdau no final de 2010. Em geral não se deve incluir estes valores no valor do empreendimento.
c) Uma vantagem do valor do empreendimento sobre a capitalização é considerar a estrutura de financiamento. Na Gerdau, quase 40% do valor é proveniente de dívidas com terceiros.
d) O valor do empreendimento pode ser usado de maneira relativa. Ou seja, comparando seu valor com as receitas totais, por exemplo. Isto aumenta o grau de utilidade da medida
e) Algumas bases de dados fornecem este número. É importante saber a forma de cálculo.
f) É possível simplificar a maneira de obter o valor do empreendimento somando a capitalização com o passivo da empresa e subtraindo caixa e equivalentes. No caso da Gerdau seria: 23520 + 17319 – 1477 = 39 362 milhões. Ou 3 bilhões acima do valor obtido anteriormente.

Veja também 
  Capitalização
Margem Bruta
ROI 
Liquidez Corrente